Perante uma plateia predominantemente académica, Denis McQuail falou ontem, na Universidade do Minho, sobre ‘Publicação numa sociedade livre: o problema da responsabilização’. Convidado pela universidade para titular da Cátedra Lloyd Braga, McQuail retomou, na sua aula aberta, temas que já discutiu em espaços diferenciados.
No essencial, o seu argumento centra-se na ideia de que a área da responsabilização deve ser problematizada longe de pressões ideológicas ou corporativas, evitando-se, assim, as duas posições mais comuns sobre o tema: a da liberdade absoluta (sem vínculos nem referenciais) e a da censura imposta pelo Estado (através da lei ou de outros mecanismos).
Denis McQuail defende que os media são, pelo seu posicionamento social, necessariamente titulares de algumas responsabilidades - manutenção da ordem e da segurança, o respeito pela ordem moral estabelecida, a procura do progresso cultural, a necessidade de servir os interesses do Estado e do sistema de justiça, a disponibilização de benefícios de ‘esfera pública’ e a defesa dos direitos humanos e das obrigações internacionais - que lhes podem ser atribuídas ou auto-escolhidas e pelas quais podem ser responsabilizados (legal, moral ou socialmente), na sequência de danos causados ou de deficiente qualidade no trabalho.
Defende o teórico britânico que quanto mais depressa os media se aperceberem de que a adopção de medidas concretas no sentido de uma maior responsabilização pode, de facto, melhorar a qualidade do produto ao mesmo tempo que promove o aumento dos níveis de confiança com as suas audiências, mais longe estaremos de alternativas externas de controle. Estas - diz McQuail - poderão ser mais eficazes a curto prazo (e, em alguns casos, serão mesmo a única forma de se atingirem determinados objectivos), mas, a longo prazo, contrariam o espírito de uma sociedade aberta.
McQuail e a responsabilização
'6/05/04 6:34 PM' por Luis Santos









