Na sequência dos atentados em Londres surgiram, um pouco por todo o lado (até mesmo em publicações portuguesas), textos em torno de uma ideia genérica: estariamos a assistir a um sinal do triunfo do ‘jornalismo cÃvico’ e/ou do ‘jornalismo participativo’.
Ora o uso indiscriminado destas expressões sugere pelo menos duas leituras:
a) assume-se que são idênticas e que se relacionam com uma só realidade;
b) assume-se que sâo variaçõees (no essencial não muito distintas) do ‘jornalismo profissional’.
Um dos mais famosos defensores desta linha de pensamento, Tim Porter, chegou mesmo a escrever há dias:
“The participatory nature of the news coverage of the London bombings (…)erases the line between those affected by the news and those who cover the news.
In a world of digital empowerment and reflexive communication, we are all reporters“.
Neste particular, gostaria de pensar o jornalismo como tendo um papel social mais relevante, que não apenas o de mostrar, apontar, sinalizar, porções do real.
Os telefones móveis com câmara fotográfica integrada (apenas para usar o exemplo da tecnologia citada) podem, de facto, alterar a forma como nos relacionamos com a informação e devem alterar a forma como os profissionais da informação se relacionam com os seus públicos. Mas isso não chega para fazer de cada pessoa um repórter; é vital para tornar o trabalho do repórter mais completo, mais integrado, mais honesto e mais credÃvel…mas não creio que possa substitui-lo.
Neste tema assumo a minha parcialidade e assumo partilhar tanto o que escreveu, a este mesmo propósito, o Provedor do Leitor do JN, Manuel Pinto, no final do seu mais recente texto (não prometo ligação permanente), como o desejo de clarificação de conceitos expresso por Samantha Henig aqui e - ontem mesmo - redobrado aqui.
Nota: Este apontamento surge na sequência da descoberta de um blog do ex-jornalista (e agora professor de Comunicação) canadiano Mark Hamilton. Gostei da prosa mas fiquei sobretudo com inveja da imagem/cabeçalho e do que ela exprime.
Porque são importantes as definições
'19/07/05 4:40 PM' por Luis Santos










Eu acho que é preciso cuidado quando se fala em “jornalismo participativo” ou “jornalismo cívico”, e nas comparações com o jornalismo profissional.Corre-se o risco de se pensar que hoje em dia qualquer pessoa pode ser jornalista, quando não é assim. O jornalismo é, entre outras coisas, uma técnica, um conjunto de saberes, que necessitam de ser assimilados, e isso não se aprende de um dia para o outro!
Concordo que os cidadadãos possam auxiliar o trabalho jornalístico, e se assim for, ainda bem, mas não substitui-los.
Qual seria então o papel do jornalista, se qualquer pessoa pudesse fazer o seu trabalho?
Joana,
Concordamos na essência. Eu apenas preferiria que se falasse no “papel do jornalista” enquanto ‘contribuinte social’ em vez de se adoptar uma lógica corporativa de defesa dos interesses de grupo (também estes dois discursos precisariam de ser clarificados).
Obrigado pela visita.
Olá,
No principio, desculpas porque vou escrever em galego-portugués, pois aínda tou a aprender a língoa de Pessoa. Como estudante de doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela (Galiza, Espanha) que adicou dous anos ao estudio do chamado jornalismo cívico, entendo o civic ou public journalism como uma corrente académico-profisional eminentemente estadounidense (aínda que o termo é usado hoje case que universalmente, o jornalismo cívico tal e como foi concibido por Jay Rosen e Davis Merritt ten características que o fan non enteiramente exportábel). O jornalismo cívico invita aos jornalistas a seren máis sensíbeis aos procesos de deliberacao social, mais non deija nas maos dos cidadáns o ejercicio do jornalismo. Facer jornalismo non consiste en escrever do que nos gusta ou do que tivemos a sorte ou desgraza de viver, senón en comunicar moitos outros temas que non son agradábeis (crimes, asasinatos) pero que son esenciais para uma sociedade democrática e informada. O jornalismo fai ben en aceitar os contributos de cidadáns, pero un cidadán que comenta as súas experiencias nun blog non se converte da noite para a manhá num jornalista.
Absolutamente de acordo, Paco.
Muito obrigado pela visita.
MANIFESTO CONTRA O TGV E O AEROPORTO DA OTA
Portugal vive hoje uma das piores crises económicas dos últimos 30 anos! A economia está a recuar e a taxa de desemprego oficial (7.5%) esconde ainda, muitos mais trabalhadores no desemprego!(550mil) As fábricas, deslocalizam-se impunemente para países onde a mão de obra é mais barata e os trabalhadores portugueses, defronte das opções restantes (fome ou escravidão assalariada), emigram também eles em busca de melhores condições de vida!
Mas aqui há responsabilidades atribuídas! Os sucessivos governos PS, PSD e também CDS/PP tem culpas no cartório! As erradas opções governamentativas que se tomaram ao longo dos anos, contribuíram largamente para a precarização do trabalho e a destruição do sistema produtivo nacional! Em prol e ordem das directivas europeias, cada vez produzimos menos e cada vez mais a riqueza do nosso país decai!
Contrariando todas as expectativas, nas quais declinavam a hipótese deste conselho de ministros ser menos eficiente e produtivo que o anterior. Iniciou o mandato, abriu a desgraça! O governo de Sócrates, avançou desde logo com o aumento do IVA quebrando assim uma promessa eleitoral. Não revogou o código de trabalho (medida ansiosamente esperada) e ainda retirou inúmeros direitos à função pública. Direitos estes, conquistados com muitas lutas e que serviam de referência para futuras metas do sistema privado!
Noutro tom, mas com o mesmo objectivo, Sócrates apresentou a nova “teoria da tanga”, reformulada e em diversos actos. Continuando a obsessiva fixação pelo défice, apelou ao povo português, para uma vez mais “apertar o cinto e compreender a situação”: a grave crise que o país está a atravessar!
E quando todo o discurso estava assente na máxima: “É preciso reduzir a receita e aumentar a produtividade”, eis que é apresentado o plano prioritário de investimentos, onde figuram estes dois projectos megalómanos:
- TGV
- Aeroporto da OTA
Não se trata de um investimento na produção, inovação ou no combate ao desemprego! São dois projectos ligados aos transportes, de milhares de milhões de euros, completamente dispensáveis em qualquer altura, ainda mais em tempo de crise!
Protesta contra esta hipocrisia!
Apela à defesa do sistema produtivo nacional!
Luta por mais direitos sociais!
SUBSCREVE ESTE MANIFESTO!
http://contratgveota.pt.vu