Na página 14 do Público de hoje apareceu uma ‘novidade’:
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, foi contactado por vários autores de blogues temáticos com vista a receberem informações diversificadas sobre comunicação social. A proposta dos bloggers, entre os quais se encontram professores universitários e jornalistas, consiste em ter acesso às notas habitualmente enviadas para as redacções.
Tratar-se-ia, de facto, de uma novidade se assim fosse.
Acontece que não é.
Sendo o Atrium um dos blogs listados na notícia, creio que importa deixar aqui um esclarecimento. Nunca pedi para integrar qualquer listagem do gabinete de Santos Silva e nunca me organizei com outros bloggers nesse sentido.
O que ocorreu – e isso foi feito de forma bem visível, na caixa de comentários – foi que recebi, à semelhança de outros bloggers, um e-mail assinado por Carlos Narciso pedindo um endereço de e-mail para o envio de informações. Tomando por válida a identidade de quem escreveu foi, portanto, um assessor do ministro que contactou os blogs e nunca o contrário.
O texto, como se nos apresenta, é portanto falso.
Um responsável do Público indicou-me que a informação será corrigida amanhã na secção ‘O Público errou’, mas confesso que, apesar de anotar com apreço o gesto, o incómodo se mantém.
À semelhança do que acontecerá com muitos dos que se julgam injusta ou falsamente representados na comunicação social, também eu hoje sinto que a correcção, nos moldes em que se faz ainda nos media tradicionais, está longe de responder de forma cabal ao desafio – acontece (quando acontece!), geralmente, num espaço ’secundário’, de frágil apelo gráfico e – mais relevante – num momento diferente e distante do original (nos jornais, na melhor das hipóteses, na edição do dia seguinte). Por tudo isto, os leitores da correcção serão sempre diferentes dos que leram a informação falsa e, por regra, em número inferior.
A questão precisa, certamente, de constar de qualquer agenda de reaproximação entre os media e os cidadãos.
PS: O Atrium aceita, agora como sempre, receber quaisquer informações sobre temas relacionados com as temáticas aqui tratadas. Agradece, aliás, todas as que recebeu até hoje. O seu autor não abdica, porém, do direito a sobre elas exercer juízo editorial.
PPS – A correcção não saiu na edição do dia 21 de Março. Vale – a dobrar – tudo o que acima se disse sobre a necessidade de o jornalismo repensar a forma como lida com os seus erros e com as pessoas que por ele são afectadas.











Porque é que o governo não disponibiliza estas informações a toda a gente? Se não conseguem criar uma infraestrutura que suporte isto nas páginas do ministério, basta criar um espaço no WP ou no Blogger e escrever.. :>
No Publico.pt, a mesma notícia já apareceu corrigida esta manhã:
“O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva contactou vários autores de blogues temáticos”
Quanto à iniciativa, alguém se lembrou de importar o conceito dos EUA e passar a distribuir informação a bloggers, mais ou menos como se de jornalistas se tratasse (e, neste caso, muitos são-no de facto)
Confesso que tenho curiosidade em ver como se vai processar isto. O assessor do ministro deixou nos blogues a seguinte mensagem:
“gostaria que me indicassem um email para vos enviar informação com relevância para eventual publicação no vosso blog.”
Qual é o objectivo? Fomentar a discussão pública? Se assim é, concordo com S: não faria melhor o ministério em criar a sua própria plataforma de discussão? Uma medida que, aliás, não impediria este envio de comunicados. Seria, do ponto de vista técnico, absurdamente simples, embora eu duvide muito da eficácia desta cibercidadania.
De resto, é bom ver que a blogosfera portuguesa – apesar de ser “frequentada” por muito poucos – tem já peso suficiente para atrair este tipo de atenção por parte de um ministério.
Também eu recebi o e-mail, mas daí a ter feito uma proposta ao ministro vai uma grande diferença…
Concordo com o primeiro comentário que refere a criação de uma plataforma do próprio ministério.
E concordo em absoluto com a mudança que deve ser feita ao nível das correcções.
A iniciativa do Público (O Público errou) é de louvar, contudo, nem sempre os leitores do erro e da sua correcção são os mesmos. Importante é não errar. Verificar. Certificar-se, mesmo que isso atrase a publicação da notícia.
O “exemplo dos EUA” é suportado por uma base de lógica e transparência.
Por exemplo, a Casa Branca, para além de autorizar bloguistas também mantém centros de divulgação de qualidade.
http://www.whitehouse.gov/rss/
http://www.whitehouse.gov/news/
Um bom exemplo em Portugal do caminho a seguir, é a recente Página da Presidência da República – http://www.presidencia.pt/
Subscrevo tudo, Luís.
[...] Segundo notÃcia do Público de 20 de Março – rectificada a 21 (ver esclarecimento por LuÃs Santos, no Atrium) – teria havido contactos entre o Ministro dos Assuntos Parlamentares e alguns responsáveis de blogues: [...]
[...] Segundo notÃcia do Público de 20 de Março – entretanto objecto de rectificação (ver esclarecimento por LuÃs Santos, no Atrium) – teria havido contactos entre o Ministro dos Assuntos Parlamentares e alguns responsáveis de blogues: [...]