A propósito de uma polémica que foi levantada por um blog anónimo mas que com grande rapidez obteve acolhimento na imprensa nacional - a do alegado plágio de Miguel Sousa Tavares na sua obra ‘Equador’ - o autor achou por bem usar o seu espaço de crónica semanal no Expresso para (como agora se costuma dizer) “tirar desforço”.
Ponderei bem o que a seguir escrevo sobretudo porque me identifico com o MST em dois pontos fundamentais:
1. As acusações anónimas são actos condenáveis;
2. O recurso do jornalismo a informações veiculadas por anónimos é muito mais frequente do que devia ser e é, por isso, no mais das vezes, mau trabalho, com influência directa no degradar da imagem social da profissão e da actividade.
Dito isto, importa dizer também o seguinte:
a) MST faz parte de um restritíssimo grupo de pessoas que, em Portugal, tem o acesso que quer ao espaço público. Estando, como parece estar, indignado com o que aconteceu tem - como muito poucos outros, reforço - à sua disposição mecanismos suficientes (e que, por via da sua ligação ao Jornalismo e ao Direito bem conhece) para apresentar a sua leitura da situação e os factos que, de forma definitiva, possam deitar por terra as especulações;
b) MST escolheu, porém, uma via alternativa e pareceu preferir um estilo mais enérgico que, à falta de melhor imagem, podia classificar como sendo o de um ‘esbracejar vociferante’ (um pouco à imagem do que fazem aqueles senhores muito típicos que nos alertam em Speakers Corner para os inúmeros apocalipses que temos pela frente);
c) MST usa o espaço de crónica, no semanário de maior expansão nacional, para nos falar dos problemas pessoais que tem; usa um privilégio, para abusar dele (faz, no fundo, aquilo que tantas vezes critica noutros);
d) MST aproveita a ocasião para falar dos blogs como sendo uma só realidade:
Dum só sopro revela-nos não saber do que fala mas, mais do que isso, não querer sequer saber.
O mais grave, no entanto, é que não sabendo e não querendo saber, ainda assim, tem opinião:
“O que já sabia dos blogues confirmei: em grande parte, este é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desenvergonhada, da desforra dos medíocres e dessa tão velha e tão trágica doença portuguesa que é a inveja“.
Compreendo o problema do MST e, como disse acima, concordo em absoluto com as razões da sua indignação.
Não posso, porém, concordar com os métodos a que recorre e não aceito as generalizações basistas que faz.
MST comportou-se da única forma que não devia.
E a razão que tem empalidece…como se da imagem de um marajá d’antanho se tratasse…
Uma outra leitura do assunto.










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[...] O artigo de Miguel Sousa Tavares seria, inevitavelmente, objecto de reacção na blogosfera, nomeadamente por Luís Santos (no Atrium) e Rogério Santos (no Indústrias Culturais), que frisava não se poder “[…] generalizar e desprezar o mundo dos escritores. Ou dos jornalistas. Ou dos blogues“. Seria aliás criado um “grupo de discussão” a propósito deste caso, com referências a outros blogues que comentaram o assunto. [...]
[...] O artigo de Miguel Sousa Tavares seria, inevitavelmente, objecto de reacção na blogosfera, nomeadamente por Luís Santos (no Atrium) e Rogério Santos (no Indústrias Culturais), que frisava não se poder “[…] generalizar e desprezar o mundo dos escritores. Ou dos jornalistas. Ou dos blogues“. Seria aliás criado um “grupo de discussão” a propósito deste caso, com referências a outros blogues que comentaram o assunto. [...]
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