A mudança que José Manuel Fernandes nos promete hoje, para o Público que começa vida nova a partir de segunda-feira, é gigantesca.
Muda-se a identidade gráfica, muda-se a ordenação interna do jornal, muda-se a estratégia de presença no mercado e muda-se o público alvo.
Muda-se tudo, ancorando a argumentação na fidelidade à ideia fundadora do diário – “um jornal para ler, entender, debater e, ao mesmo tempo, um jornal visulamente forte. E que faz escolhas inovando“.

Do ponto de vista gráfico, as semelhanças com o premiado Guardian são imensas. Ou melhor dizendo, as diferenças são quase de pormenor (em cima, duas páginas do número zero hoje disponibilizado em PDF no site do Público e, em baixo, duas páginas retiradas de uma versão PDF de um exemplar do Guardian).
Se podemos, nesse aspecto, considerar que o Público dá um salto qualitativo muito grande (a presença da cor em todas as páginas, uma organização do espaço que adapta ao papel sugestões da web) temos forçosamente que admitir – por comparação – que a mudança não se aproxima da que representou o aparecimento do jornal no fim da década de 1980.
O Público terá – ainda do ponto de vista da imagem gráfica – contra si o facto acrescido de nem sequer ser o primeiro a ‘adaptar’ o estilo do Guardian ao mercado nacional (o Expresso veio primeiro).
Tendo já tido o privilégio (por cuidado de mão amiga) de ter folheado este número zero (e bem sabemos que folher é bem diferente de visualisar) senti ter entre mãos um jornal sólido, bom, cheio. Percebe-se o genuÃno desejo de fazer avançar o diário para uma nova etapa com conviccção e com energia. A imagem torna-se mais presente (e isso é bom), a criação de uma segunda caderno também me parece positiva e a reordenação de algumas áreas tornou-as mais claras.
Dito isto, encontro nele algumas opções que me parecem mais discutÃveis (e vou centrar-me apenas naquelas que – na sequência da campanha de promoção – assumia como garantidas).
A primeira é a inexistência dos e-mails dos jornalistas junto à s notÃcias que escrevem. A segunda é a inexistência de um espaço concreto para os contributos dos leitores em substituição do cantinho (pequenino) para as ‘cartas ao Director’. A terceira é a inexistência (esta parece-me inexplicável) de uma ficha técnica.
Sobre aspectos mais especÃficos do grafismo e, em particular, sobre o logo, reservo o meu juÃzo final para um momento posterior (preciso de me habituar ao desaparecimento do logo original do Público, preciso de me habituar à opção de uma cor normalmente conotada com os ditos jornais populares e preciso de interiorizar a ideia de que uma só letra poder querer ser mais do que isso – uma só letra).
Nota adicional: Se o número zero está disponÃvel aqui, porque é que pedem à s pessoas que o descarreguem por outra via?











[...] – LuÃs Santos (Atrium) tece aqui algumas considerações pertinentes acerca das [...]
Caro Luís,
Só para deixar a breve nota de que a Ficha Técnica e as Cartas ao Director já existem no “número 1″, de 12 de Fevereiro.
[...] produto mais dinâmico, mas sublinha que falta cumprir ainda uma parte da promessa. Designadamente, começar por fornecer os e-mails dos jornalistas, como reclama no blog Atrium. Além disso, aponta outras semelhanças gráficas do novo layout do [...]
Em muitas páginas, 75% da área é ocupada pela foto do artigo. Só me ocorre pensar que quem tem pouco para escrever, …. escreve menos. No editorial do Público sobre o novo jornal é dito “A pressa da vida moderna nem sempre tolera espaço e tempo para o prazer de ler jornais.” Com efeito, com as enormes fotografias e a cores, o jornal desfolha-se mais do que se lê, tornando-se compatível com essa pretensa vida moderna em que não há tempo para ler nem para pensar. Realmente, não considero que a nova cara traga mais valias.
[...] No mesmo dia em que surgia o “novo Público”, profundamente remodelado em termos gráficos. [...]