Estive quase um mês ausente da escrita neste blog.
Já não é a primeira vez que isso acontece e não será a última.
Há dias, num debate na RTPn, conversava-se sobre a eventual profissionalização dos blogs e eu - que estranho, eu, num papel conservador! - dizia a quem me quis ouvir que não aceitava esse como ‘o caminho natural’.
E aqui está a singela base para a minha argumentação.
O Atrium, que ora tem três posts num dia, ora não tem nenhum durante quase um mês é um espaço que não se enquadra - assim como está - em nenhuma lógica comercial. Não estaria à altura dos gráficos, dos objectivos e dos estudos de mercado.
E penso que está bem assim.
Admito que a caminhada no sentido da profissionalização possa ser trilhada por alguns blogs, mas isso aproxima-los-á, forçosamente, de enquadramentos - legais e comerciais - que estão já bem definidos para outros espaços e formatos (a edição discográfica, a edição livreira, a publicação jornalÃstica, por exemplo).
A quem não se sente atraÃdo por nada disso, o sentimento de culpa pela não publicação, ainda assim, mói.
Mas aguenta-se.
E também isso eu poderia identificar como uma marca distintiva dos blogs - a liberdade de avançar de forma errática…como fazemos na vida.
PS: Já que estamos a falar de mim, deixo o link para as respostas que dei ao Miniscente, no âmbito da série ‘mini-entrevistas’ (sou o nº 149).










Perfeitamente de acordo (os blogues continuam a ser uma espécie de ‘hobby’, para o qual nem sempre é possÃvel ‘inventar’ tempo), mas é sempre bom voltar a ver por aqui novos artigos!
Abraço!
LuÃs, a profissionalização é inevitável, está a acontecer e não vem daà mal ao mundo em geral nem à blogosfera em particular. Claro que os (poucos) pros terão de ser enquadrados em regras e claro que os (muitos) não-pro continuarão a sujeitar-se quando quiserem e ao que quiserem, se quiserem e ninguém os obriga.
A profissionalização chegou à Imprensa no século XIX mas ainda hoje há jornais feitos por amadores. E revistas errantes irregulares, como o teu blogue
Não será entre as fronteiras do “hobby” do Leonel e da “profissionalização inevitável” do Paulo que haverá um limbo onde muitos bloggers se vão manter? Uma espécie de profissionais amadores, tal como existiam os zines e tantas outras formas de comunicação não formal? E sem sentimentos de culpa
Sinto-me tentado a partilhar o que diz o Pedro Fonseca. Acrescentaria, talvez, que esse limbo poderá ter, também ele, espaços de densidade diferente.
Provavelmente o que a web nos dá - a mais do que os jornais, a rádio e, sobretudo, A TV - é essa possibilidade de sermos profissionais ‘a espaços’.
Vejo, sem problemas, a existência de blogs profissionais, de blogs amadores…e tb de outros, de tipologia indefinida…capazes de ‘random acts of…’ (como dizia a R.Blood).
Um abraço a todos.
Pedro, sim
A profissionlização inevitável não é para todos — deixo sempre isso claro, mas pelos vistos não suficientemente claro.
A tipologia indefinida. Está alguma coisa em mudança (não a essência do jornalismo, que é noticiar com o rigor possÃvel a verdade descortinável) e não só um momento de viragem como a própria web se prestam ao blurb, ao carácter difuso, aos papéis indefinidos dos players desta peça. Intervenientes activos e espectadores são conceitos escaqueirados, o espaço é largo e acomoda todas as espécies de tribos.
Luis, sim