A questão que Jeff Jarvis levanta num dos seus últimos posts é pertinente e não sei se há uma resposta clara para ela: devem as empresas jornalísticas fortalecer a marca, integrando nela toda a sua produção (audio, video, texto, infografia, blogs, fóruns, etc.) ou devem optar por criar um sistema integrado de marcas autónomas, cada uma com o seu nicho e cada uma ‘naturalmente’ adaptada ao espaço em que existe?
Vem isto a propósito dos blogs ligados a jornais que – diz Jarvis – não são um grande sucesso…porque estão em sites de jornais:
I think that if newspapers are going to blog, they should have lots of blogs at lots of addresses, lots of people creating lots of brands. And this also means that they must be written in the human voice of the person, not the cold voice of the institution. And, while we’re at it, this means that they must join in and link to other conversations; that is they only way they will spread and grow, not because they live six clicks deep into a giant newspaper site.
Já agora, sobre o mesmo tema de fundo – a marca – aconselho a leitura deste texto de Howards Owens.
Excerto:
On the web, it’s a mistake, I think, to rely on brand. Brand, in fact, may be absolutely meaningless. What is more important is A) utility; B) an easy to remember and type domain name. Get those things right and success is much easier to obtain.












Humm… não sei.
Isto é: estamos a falar de blogs de jornalistas ou de blogs de jornais? A pergunta deriva da dúvida em escolher de entre uma identidade endossada – no caso, a dos blogs de jornais – e uma outra coisa.
O facto de um jornalista manter um blog de cunho exclusivamente pessoal prende-se – talvez – com a sua necessidade de exercer um direito de opinião que, em alguns casos, pode ter barreiras impostas por diversas razões. Para além disso, o feedback obtido pode ser gerido livremente e “sem compromisso”.
No caso de o blog do jornalista se tratar de um blog de informação – com ou sem espaço de opinião – ele é um blog por permitir uma visibilidade que o site ou a instituição poderão não ter, muito por “culpa” dos motores de busca. No entanto, creio que, a ser do jornal, a forma de credibilizar o blog passa por o menter dentro do domínio, ou de alguma forma ligado ao site ou ao jornal em si.
Tenho esta opinião pois, a não acontecer isso, não poderá o blog ser uma “arma de arremesso” pré-publicação? Ou seja: à semelhança do que faz o “The Economist” com alguns bloggers escolhidos, veiculando as notícias antes da sua publicação para originar discussão prévia e assim obter dados “barométricos”, não poderão passar a ser os próprios jornalistas a exercer essa função? E, se sim, não é isso uma espécie de subversão do jornalismo?
Compreendo que o jornalismo, como qualquer outra actividade, esteja sujeito às influências do mercado e à consequente “manipulação” pelos departamentos de marketing. Considero, no entanto, ser esta uma actividade que não deve ceder a tudo, a todo o custo. E todos sabemos o que a blogosfera pode fazer nesse contexto…
A marca deve sorver tudo o que a alimenta para se poder expandir o mais possível como um identificador de grupo e pertença. O problema é que o receptor que procura o blog, procura algo de diferente do institucional, algo que aparente estar mais próximo do real, do cara a cara a tal “human voice”. A marca facilita a vida dos sujeitos através da criação de um estereótipo de produto que ajuda à simplificação da realidade. Aquilo que depois as pessoas procuram nos blogues é a informação não filtrada ou não trucidada pelas máquinas de estandardização e que de certo modo dão a ilusão de estar a emitir directamente da fonte e não do mensageiro. Desse modo percebe-se com naturalidade o insucesso dos blogues com selos das marcas dos jornais.
Relativamente à afirmação de Howards Owens, julgo que quem está enganado é ele. É verdade que a Yahoo ou a AOL entraram em declínio face à Google ou Amazon, mas isso não é um sinal de qua as marcas não devem ser tidas em consideração num meio digital mas que simplesmente tem comportamentos similares ao mundo analógico. Se não o que dizer do declínio da Adidas face à Nike e depois ao seu reaparecimento, aliás como a Yahoo que voltou a reaparecer em força. O seu primeiro ponto aplica-se em qualquer dos lados do comércio, as pessoas só vão comprar algo enquanto sentirem que lhes é útil no sentido em que oferece algo que os outros não oferecem. E isso não precisa de ser em dinheiro mas pode ser em conforto, como os estofos ou a condução de um carro se relaciona com a facilidade de acesso e inteligibilidade da página da Google face à concorrência. Assim como a marca Amazon transmite a sensação de segurança/qualidade das suas transacções no meio da vastidão web da mesma forma que a McDonalds transmite a mesma sensação quando em viagem por locais remotos em que não se conhecem os hábitos alimentares e não se é dado a comportamentos exploratórios.
A piada é que ele próprio se contradiz dizendo que a marca não tem qualquer importância mas afinal no ponto b) ele está a falar de quê? “an easy to remember and type domain name” !!!! -> Just do it