A tragédia de ontem à noite, na A23, domina as primeiras páginas dos principais diários portugueses - pagos e gratuitos (está excluÃdo o Metro porque, até à s 10h30 da manhã, não tinha ainda disponÃvel no site a imagem da edição do dia) - e talvez seja o momento indicado para tentar fazer algumas observações:

1. Há três diários que recorrem à palavra ‘tragédia’; os restantes preferem o termo ‘acidente’ (um dito popular, um dito de referência e um gratuito);
2. Há cinco diários que escolhem para tÃtulo a notÃcia - ‘aconteceu isto, morreram X pessoas e Y ficaram feridas’;
3. Há dois diários que escolhem para tÃtulo o contexto - ‘o que aconteceu enquadra-se nisto’;
4. Há um diário que passa completamente à margem do assunto.
Notas:
a) Numa situação como esta - em que o facto acontece à noite, a uma hora em que a maioria das pessoas pode já não estar a aceder a conteúdos informativos - parece-me legÃtimo que ainda se apresente a notÃcia em primeira página. Ou melhor, parece-me aceitável que assim se proceda.
b) Num momento em que os diários pagos são pressionados pelos gratuitos e pela proliferação de formatos de transporte de informação parece-me, porém, estrategicamente mais correcto seguir o caminho da contextualização - a informação de base está lá, mas há também o resto, o que pode distinguir dos demais. Só o Jornal de NotÃcias e o Público seguiram esse caminho e, curiosamente, escolheram complementaridades diferentes: ‘o maior acidente desde Entre-os-Rios’ e ‘eleva para 702 o número de mortos nas estradas’.
c) O caminho percorrido pelo diários gratuitos nos últimos anos parece indiciar uma aproximação paulatina ao espaço até aqui ocupado pelos diários pagos (independentemente do estilo); a própria existência de mais tÃtulos no segmento tende a acrescentar impulso a essa caminhada. Mas isto significa que quem não acompanha a passada fica irremediavel e visivelmente para trás; o Meia-Hora de hoje está para trás. Está mais longe da informação diária do que da informação de supermercado e isso só pode ser entendido como um sinal de alerta para quem o dirige e financia.










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