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Archive for 31 de Janeiro, 2005

Num texto de deliberado cepticismo, o editor da Slate, Jack Shafer escreve sobre a relao entre bloggers e jornalistas, a propsito da conferncia sobre credibilidade que teve lugar na Universidade de Harvard.
Shafer aponta exemplos de outras “maravilhas” tecnolgicas que, no passado, se dizia terem aparecido para revolucionar “o mundo como o conhecemos” e que, afinal, so agora pouco mais do que uma nota de rodap como fundamento para avanar a sua ideia – exagerar o potencial dos blogs pode ser contraproducente.
Alm disso, aponta alguma artificialidade na afirmao da existncia de um fosso entre os jornalistas e os bloggers:
I think most practicing journalists today are as Webby as any blogger you care to name. Journalists have had access to broadband connections for longer than most civilians, and nearly every story they tackle begins with a Web dump of essential information from Google or a proprietary database such as Nexis or Factiva. They conduct interviews via e-mail, download official documents from .gov sites, check facts, and monitor the competitionincluding blogsthe whole while. A few even store as a “favorite” the URL from Technorati that takes them directly to what the blogs are saying about them and talk back. When every story starts on the Web, and every story can be stripped to its digital bits and pumped through wires and over the air, we’re all Web journalists“.
Em jeito de provocao, Shafer diz ainda:
The biggest difference between me and conventional bloggers is that I usually pause between first thought and posting“.
Naturalmente, Rosen, Winer, Jarvis, Ed Cone, Weinberger e muitos outros no se sentem identificados com esta viso.
Ento e as diferenas substanciais – personalizao, interactividade, processo de criao colaborativo, diluio de barreiras entre produtor e consumidor da informao?
Encontrei a referncia aqui.

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Termina hoje o prazo indicado pelo Ministrio da Cincia, Inovao e Ensino Superior, para pronunciamentos sobre os pareceres das comisses que avaliaram a eventual adaptao de cada rea cientfica s indicaes de Bolonha.
Tendo em conta que a comisso nomeada para observar a rea da Comunicao laborou sem contactos com o exterior seria de esperar que, no mnimo, esse facto tivesse despoletado um aceso debate e inmeras reaces. J anteriormente aqui manifestei a minha surpresa/decepo – as opinies, a terem existido, no foram tornadas pblicas. Um debate entre responsveis de vrias universidades – que chegou at a estar agendado – no chegou a realizar-se.
Nos ltimos dias, soube-se apenas da opinio dos curso e departamento da Universidade do Minho sobre o assunto, opinio essa que chegou hoje ao conhecimento de um pblico mais vasto, atravs das pginas do Jornal de Notcias (no garanto permanncia do link. Uma verso completa do texto est aqui).
Ainda assim parece-me pouco.

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No meu ltimo post escrevi que Pedro Fonseca tinha, deliberadamente, acabado com uma conversa que poderia ter sido muito pertinente sobre o acompanhamento da actividade jornalstica por parte dos cidados.
Uma vez que o assunto avanou – e, espero eu, tem agora um caminho mais proveitoso a percorrer – creio ser importante deixar aqui trs notas:
1 – Num tom mais sereno e mais fundamentado (que no sem a sua ocasional e desnecessria ‘farpa’) foi possvel perceber o argumento central do autor do “ContraFactos”;
2 – Esta discusso ocorre, por ora, num ambiente corporativo – jornalistas falam sobre jornalistas (dois deles afastaram-se do excerccio dirio);
3 – A uma distncia j razovel dos primeiros posts, creio que ser de bom tom admitir aqui algum excesso na articulao do meu primeiro texto sobre o assunto. Mesmo que continue a pensar que inaceitvel confundir uma proposta de discusso com o incio de um concurso de berros, acho que no adiantar muito repisar o que ficou para trs, at porque no seu mais recente post Pedro Fonseca me acusa de coisas que no fiz a propsito de coisas que eu terei dito que o Pedro fez, disse ou pensou. Ou seja, no sairiamos disto nunca. Quem quiser perder algum tempo, pode ler os nossos posts sobre o assunto e formar uma opinio – assim bem mais honesto.
O que realmente importa:
Parece-me que o Pedro Fonseca est genuinamente preocupado com uma tendncia que pensa ser generalizada para a vigilncia avulsa, no substanciada e, sobretudo, no escrutinada.
Parece-me, tambm, que neste contexto no aceita que, numa observao “um-a-um”, qualquer cidado decida avaliar o desempenho profissional de um jornalista.
No primeiro ponto, partilho a preocupao. Penso, no entanto, que se trata de um tema muito mais abrangente, que envolver uma discusso sobre o viver social que queremos e que aceitamos.
No segundo ponto, continuo a discordar. Discordo da ideia de que a actividade profissional deve ser entendida como um exerccio privado e, portanto, no sujeito a observao (seja de grupo, seja individual).
Continuo a pensar que no devemos confundir a privacidade que deve ter um jornalista na sua vida no profissional com a privacidade que no pode exigir ter num exerccio to exposto (e por isso socialmente to influente; e por isso to desgastante; e por isso, talvez, to interessante).
A ausncia de exposio significativa, no passado, resulta, fundamentalmente, de um enquadramento tecnolgico no favorvel participao e de nveis de literacia da populao mais baixos.
Mas no podemos continuar a pensar e / ou a defender que o exerccio da profisso continue a ser desenvolvido neste cenrio (o mesmo, naturalmente, se poder dizer dos advogados, dos juzes, dos mdicos, dos polticos).

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