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Archive for Julho, 2005

Pousio

A presenca de posts novos no blog tem sido muito errtica neste ms de Julho. Afazeres da poca misturam-se, por certo de forma arbitrria, com enormes deficincias de auto-disciplina na explicao do facto.
Tendo assim aqui chegado penso que ser, portanto, mais honesto dizer que nas prximas duas semanas (e meia, se calhar) ainda vai ser pior. O Atrium vai parar e dias haver – j o temo – em que no vou sequer poder ler o que escrevem os mais persistentes do que eu.
O regresso fica marcado para meados de Agosto.

Nota: Manda o rigor que informe que o retratado no sou eu.

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Na sequência dos atentados em Londres surgiram, um pouco por todo o lado (até mesmo em publicações portuguesas), textos em torno de uma ideia genérica: estariamos a assistir a um sinal do triunfo do ‘jornalismo cívico’ e/ou do ‘jornalismo participativo’.
Ora o uso indiscriminado destas expressões sugere pelo menos duas leituras:
a) assume-se que são idênticas e que se relacionam com uma só realidade;
b) assume-se que sâo variaçõees (no essencial não muito distintas) do ‘jornalismo profissional’.
Um dos mais famosos defensores desta linha de pensamento, Tim Porter, chegou mesmo a escrever há dias:
The participatory nature of the news coverage of the London bombings (…)erases the line between those affected by the news and those who cover the news.
In a world of digital empowerment and reflexive communication, we are all reporters
“.
Neste particular, gostaria de pensar o jornalismo como tendo um papel social mais relevante, que não apenas o de mostrar, apontar, sinalizar, porções do real.
Os telefones móveis com câmara fotográfica integrada (apenas para usar o exemplo da tecnologia citada) podem, de facto, alterar a forma como nos relacionamos com a informação e devem alterar a forma como os profissionais da informação se relacionam com os seus públicos. Mas isso não chega para fazer de cada pessoa um repórter; é vital para tornar o trabalho do repórter mais completo, mais integrado, mais honesto e mais credível…mas não creio que possa substitui-lo.
Neste tema assumo a minha parcialidade e assumo partilhar tanto o que escreveu, a este mesmo propósito, o Provedor do Leitor do JN, Manuel Pinto, no final do seu mais recente texto (não prometo ligação permanente), como o desejo de clarificação de conceitos expresso por Samantha Henig aqui e – ontem mesmo – redobrado aqui.
Nota: Este apontamento surge na sequência da descoberta de um blog do ex-jornalista (e agora professor de Comunicação) canadiano Mark Hamilton. Gostei da prosa mas fiquei sobretudo com inveja da imagem/cabeçalho e do que ela exprime.

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Londres e os media online portugueses

Permito-me replicar na ntegra o ttulo deste post do Hlder Bastos porque creio ser uma ilustrao pedaggica interessante.
Bastos olhou para a ‘oferta online’ de vrios orgos de comunicao portugueses cinco horas depois dos atentados na capital britnica. E no gostou muito do que viu.
Ainda que se pressinta uma marca pessoal na anlise, a sua crueza mostra-nos bem a que distncia est o nosso jornalismo online do que se faz por outras paragens (uma realidade mais difcil de aceitar se pensarmos que a adeso portuguesa ao digital leva j 10 anos de existncia).

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Bloggers com Etiquetas: maior clareza?

Uma das mais recentes iniciativas do prolfico Dan Gillmor d pelo nome de “Honor Tags“.
Em traos muito gerais, trata-se de uma nova proposta para credibilizar a blogosfera, acrescentando transparncia (e, presumo, responsabilizao) aos blogs que aderirem iniciativa. Quem l – alega Gillmor – sabe mais depressa valorar o que tem pela frente e quem produz sente-se compelido a estar altura da “etiqueta” que tem.
Por outra palavras – e seguindo as sugestes de “etiquetas” j apresentadas – se o Atrium aparecesse associado HonorTagJournalism, o seu autor comprometia-se a ser justo, exaustivo, preciso e transparente sobre as suas actividades. Assumiria ainda para si a frase: “I operate with integrity.
Sendo este um processo de natural adeso voluntria e dependendo, partida, de um comprometimento de honra de quem participa, parece-me tudo um pouco redundante. Quem garante o qu? E, no havendo garantias, como se alcana uma maior credibilizao da blogosfera?
O Pointblog, onde encontrei a referncia, acrescenta tambm as suas dvidas.

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Blogher – inevitvel

Sendo a blogosfera cada vez mais um espelho do que somos no seria natural v-la passar ao lado de algumas das demarcaes mais claras do viver social nos ltimos anos.
O enfase – no s criativo – na distino de gneros uma delas e eis que surge a primeira conferncia (de que tenho conhecimento) s para bloggers (elas).
Acontece no fim deste ms, nos Estados Unidos.
Tomei conhecimento aqui.

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A tragédia vista da rua

Um exemplo muito claro do enorme poder combinado da proliferação de câmaras digitais (dentro e fora de telefones móveis) e da facilidade de publicação garantida por espaços como o Flickr é este – um registo comunitário de um dia trágico em Londres…como ele foi visto do lado de fora dos meios de comunicação tradicionais (significativamente, há um número considerável de ‘screenshots’ de ecrans de TV). Encontrei a referência aqui (inscrição prévia).

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Jornalista despedido pelo que escreveu num blog

O jornalista Emanuel Bento ter, segundo revela hoje o Pblico, sido despedido pelo Dirio de Notcias da Madeira por ter usado o seu blog pessoal para, alegadamente, “difamar colegas de trabalho e superiores hierrquicos, bem como atingir a imagem, o crdito e a reputao da empresa e do seu jornal perante trabalhadores da mesma e perante terceiros“.
Acabei de passar os olhos no “Esquina do Mundo” e parece-me um blog em tudo igual a muitos outros que conheo; reflexo de ideias pessoais, s vezes mais sarcstico, s vezes mais intimista.
A questo que naturalmente se levanta prende-se com os deveres de respeito e lealdade para com uma entidade empregadora.
Como j referi em situaes anteriores creio ser problemtico um jornalista usar informaes, dados ou declaraes recolhidas durante o exerccio da sua actividade num outro contexto que no o do orgo de comunicao para quem trabalha. Embora isto possa ser bastante discutvel, acho que essa reserva deveria tambem aplicar-se s reflexes que possam resultar da anlise privilegiada dessas informaes ou do acesso a essas declaraes.
De igual forma acho problemtico – at mesmo do ponto de vista da imagem externa – uma empresa agir de forma tao exagerada relativamente a um problema tao pequeno.
Fico espera da reaco escrita do sindicato dos jornalistas que, at ao momento em que escrevo este post, no publicou ainda nada nem aqui nem aqui.

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estaremos a entrar na ‘era do jornalista’?

Das minhas leituras atrasadas mais um apontamento sobre um post imprescindvel.
Tim Porter escreveu, h seis dias atrs, mais em jeito de pergunta do que em jeito de afirmao: ser que o fim da “era do negcio jornalismo” no pode muito bem ser o amanhecer da “era do jornalista”?
Porter faz um paralelismo com o mundo da msica – em que cada vez menos pessoas parecem dispostas a dar 15 euros por um disco mas, por contraste, mais e mais esto dispostas a dar 20, 30 ou 40 para assistir a concertos ao vivo – onde o “negcio da msica” parece estar a dar lugar ao “negcio dos msicos” e diz que podemos analisar o jornalismo a uma luz idntica:
“- The mechanisms of the journalism business – distribution, production, editorial hierarchy – face threatening economic, demographic and culture pressures;
– The publishing exclusivity once claimed by the journalism business is lost to the technologically-enable democratization of the media;
– The value of most forms of news produced by the journalism business is reduced to commodity levels.
What remains are the journalists. Increasingly, individual journalists, whether they work on their own or for news companies, are showing an ability to connect directly with their audiences, using the Internet to extend their reach far beyond their geographic base (…). The future of news belongs to those who can connect to readers. That’s something people do better than institutions”.

O texto completo aqui.

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Uma batalha por um mundo diferente?

Doc Searls, um dos mais antigos bloggers, disponibilizou hoje a apresentao que levou at conferncia Syndicate, que teve lugar em Maio, em Nova Iorque.
Sendo imediatamente perceptvel o carcter ldico que os americanos insistem em dar a momentos desta natureza (sendo, nesse particular, menos contidos e – dare I say it – mais eficientes do que a maioria dos europeus) importa navegar um pouco mais nos slides e perceber alguns argumentos curiosos em torno de uma ideia central: a web um mundo de ligaes (e no um infraestrutura, e no um conjunto de contedos) e importa funcionar nela com ‘metforas’ distintas das que usamos noutros enquadramentos.
A apresentao est aqui.

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Um dos acadmicos cujo trabalho acompanho com alguma ateno o holands Mark Deuze.
Num dos seus escritos mais recentes, sob o ttulo, “Em quem confiar?”, Deuze retoma uma das suas ideias fortes, a de que o nosso envolvimento dirio com os media e, sobretudo, com a produo de contedos aumenta e alarga o espao de participao cvica.
I guess my point is that by thinking about media (culture), one is able to observe the tremendous shifts taking place in our time. If you sometimes feel you do not understand what is happening to the world, think about how you use media and what this tells you about what you know about what is happening to the world and how well you think you are able to make sense of that knowledge. The huge discrepancy between these two feelings what you know and what that knowledge means – explains the anxiety of our time“.
Recomendo a leitura assidua do seu blog – aqui – e a consulta de um post sobre algumas das suas publicaes – aqui.

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A revista britnica New Statesman escreveu uma carta a uma blogger pedindo-lhe que reformulasse um dos seus posts, por infraco do direito de autor.
Ingrid Jones transcreveu na totalidade um texto que Barbara Stocking, responsvel da Oxfam, havia publicado na referida revista em resposta a uma reportagem anterior sobre as aces daquela organizao humanitria.
O assunto mereceu j a ateno da comisso para a proteco dos bloggers e no me espantaria que fosse tambm alvo de discusso entre os membros da media bloggers association.
Creio que este caso particular – e tambm o nico exemplo nacional que conheo – demonstram duas coisas: o desconhecimento da maioria dos bloggers relativamente s obrigaes a que se vinculam quando decidem ser ‘autores pblicos’ e (no menos relevante) a desproporcionada reaco de quem se sente beliscado nos seus direitos.
Se, por um lado, creio ser preocupante a ligeireza (quase pueril) com que se aborda a ferramenta, tambm me aflige um pouco a brutalidade dos meios empregues por quem est habituado a outras batalhas, com opositores de diferente envergadura.
L est… mais um daqueles assuntos sobre os quais seria MUITO importante que trocassemos umas ideias (…e espero que o Mrio de Carvalho no me processe pelo surripiano deliberado da sua frase!).
Encontrei a referncia ao assunto aqui.

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