A proliferao de espaos de recolha de contedos, de agregadores desses contedos, de insero de produo prpria e de partilha, aliada a avaliaes do crescente poder de empresas como a Google levantam, legitimamente, questes em torno da propriedade de tudo isto.
Jeff Jarvis escreveu ontem um longo post sobre o tema. Naturalmente – para quem est familizarizado com a sua postura – a opinio que emite no uma surpresa: “A quem deve pertencer a sabedoria da multido? multido!“. Est assim reforada aquela que ele prprio indicou ser, na sua opinio, a primeira lei dos media e da vida: “Give us control and we will use it; Dont give us control and you will lose us“.
Percebo perfeitamente de onde vem Jarvis. E vejo nele a repetio de argumentos de outros bloggers famosos e respeitados, como Dan Gillmor, Mary Hoder ou Seth Goldstein.
Mas sobram-me dvidas. E no as consigo resolver de forma simples.
Antes de mais, a multido no toda igual (sendo que o sucesso de Jarvis exemplo disso mesmo) e estou mais prximo de pensar que, na blogosfera, com importantes anotaes, replicamos sistemas de valorizao e de subsequente hierarquizao social muito pouco distintos dos que usamos na nossa vida presencial.
Gostaria de pensar que existe mesmo uma forma alternativa de nos entendermos, uns perante os outros, mas a anlise da realidade fala-me em sentido contrrio.
Um outro argumento importante de Jarvis o da existncia de uma nova ordem econmica. Nesse novo ambiente, em que os produtores deixaram de ser apenas ‘os mesmos de sempre’ e em que – e, isto sim, parece-me uma ideia slida – o campo econmico se alarga a reas at h pouco consideradas de domnio privado, todos podero disponibilizar o que querem, aceder ao que querem e controlar individualmente essas trocas.
Ora, no querendo ser ‘velho do Restelo’, tambm me parece que o prenncio de um futuro que desejamos no pode ser usado como justificao para uma avaliao concreta do presente.
O que me acontece se, de repente, o alojador do meu blog (gratuito) impedir o acesso por ‘questes de funcionamento’ ou ‘questes tcnicas’? O que acontece se o Bloglines decidir cobrar pelo alojamento dos meus feeds, e o Flickr pelas imagens, e o Fotolog pelas outras imagens? Ser que eu tenho assim tanto controlo? E ser mesmo que a disponibilizao gratuita de espaos e de ferramentas j um novo (de sustentabilidade provada e solidificada) modelo de negcio?
Por ltimo, o grande enfase no que de positivo tudo isto traz ao ‘colectivo’. Temos muito mais informao nossa a circular nestes espaos partilhados e temos muito mais possibilidades de aceder ao que outros como ns produzem. Mas ser que esta quantidade pode, de facto, significar para a maioria da populao maior qualidade? E ser que podemos mesmo falar neste aglomerado de coisas indistintas como uma espcie de ‘sabedoria’ colectiva?
Uma vez mais, gostaria de crer que sim, mas emperro nas minudncias que a realidade faz por me por na frente dos olhos.
Como se pode perceber a minha discordncia , sobretudo, fruto de falta de f num futuro limpo, enrgico, brilhante, honesto e mais equitativo.
Jarvis cr: “There are so many ways we can screw it up. Spam, hate, stupidity, and control can do that. But if everyone behaves the right way, then we create great whole larger than the sums of their parts; every capitalized entity above proves that. But were still trying to figure out what the rules are, what the right way means“. Eu tendo a acreditar mais nalgumas das inevitabilidades da condio humana e, por isso, custa-me partilhar expresses to definitivas. E custa-me, sobretudo, a aceitar que pessoas como Jarvis sejam ingnuas.
'27/10/05 11:23 AM' por Luis António Santos











