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Archive for 4 de Novembro, 2005

Fugir conversa

No domingo passado, Eduardo Cintra Torres escreveu, no Pblico, a primeira de duas partes de um texto intitulado “Cidados qu?”.
O texto fundamenta-se numa ideia forte: o jornalismo muito mais do que recolher imagens e sons de episdios determinantes porque, como bem exemplifica, isso tambm uma cmara de uma estao (como as de Atocha) ou de uma caixa multibanco fazem.
‘Cidados-jornalistas’, escreve Eduardo Cintra Torres, mais uma daquelas invenes de uma certa esquerda norte-americana para descredibilizar o exerccio profissional da actividade. Ningum se lembraria de falar em hipteses semelhantes para outras profisses, como cidados-advogados ou cidados-mdicos, pois no?
Pois no.
O Eduardo est coberto de razo. Alis, a prosa dele parece-me, nesse sentido, uma das menos polmicas de sempre sadas da sua pluma (s vezes tambm) caprichosa.
Apesar disso, h uma coisa que me incomoda no texto.
E tem, sobretudo, a ver com o no dito.
O Eduardo diz-nos que jornalismo no tirar fotos de acidentes nem gravar sons ou imagens de momentos decisivos – e isso parece-me indisputval. O que ele no refere que estes desenvolvimentos vo forar uma mudana no entendimento da profisso e no seu enquadramento social. E isso sim – o que ficou de fora – parece-me o mais relevante.
Combater o que diz serem ‘nuvens de fumo’ (textos como os de Dan Gillmor) com idnticas ‘fumaas’ no adianta grande coisa.
No vale a pena continuar a assobiar para o ar, na ilusria ideia de que ‘aquilo’ no tem nada a ver com ‘isto’. Pois tem. E se os que sabem ‘disto’ no reflectirem a srio sobre o seu novo lugar, pode ser que ‘aquilo’ ganhe um peso maior do que seria desejvel. E a culpa no vai ser ‘daquilo’. Vai ser de quem foge conversa.

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