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Archive for 9 de Novembro, 2005

jornais/net – complementares?

Na sua habitual crónica no Público, Joaquim Fidalgo falava-nos ontem dos jornais como objectos com os quais temos um relacionamento (também) sensorial. Dizia-nos ainda que nunca vamos sentir, com o online, o mesmo impacto que sentimos ao ver quatro páginas de um broadsheet cheias de fotos e nomes de soldados mortos.
Esta constatação fundamenta – parece-me – os argumentos de quem preconiza para a produção jornalística online uma linguagem própria, autónoma. Só assim poderá, por um lado, potenciar todas as mais valias do espaço virtual e, por outro, emancipar-se do lugar de ‘parente pobrezinho’ da família Jornalismo.
Penso, porém, que também só assim – só procurando mais o que verdadeiramente a distingue – pode a Imprensa sobreviver no novo enquadramento. E, nesse enquadramento, as ‘notícias do dia’ serão cada vez menos um terreno confortável. Esse espaço – creio – fugiu (ou some-se numa mão de dedos abertos).
Um interessante texto sobre estas questões foi escrito ontem por Luc Fayard. Diz-nos ele:
Il faut se faire une raison : l’information est désormais un bien gratuit. Ce ne sont pas les éditeurs de presse qui l’ont décidé, ni les journalistes, on s’en doute, c’est le public. Du moins, une partie du public, celui des internautes. Mais c’est ce public-là qui impose sa loi au marché. Pensons à ce critique intello de théâtre qui disait : « Ah bon ? Le public a aimé la pièce ? Il est bien le seul ! »“.

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jornalismo online na ubi

Terminam amanhã as jornadas de jornalismo online da UBI, organizadas por Suzana Barbosa, no âmbito do Labcom.
Hoje, de acordo com o programa, Jim Hall falou sobre “Blogging, the Web, and the Mediation of Disaster”, António Fidalgo sobre
Data Mining e um novo jornalismo de investigação. Notícias de Ordem Superior” e Suzana Barbosa sobre “O que é jornalismo digital em bases de dados?”
Amanhã, os trabalhos abrem às 9h30, com Concha Edo – “El lenguaje y los géneros en la narración ciberperiodística” – seguindo-se Anabela Gradim – “Webjornalismo e a profissão de jornalista” – e João Canavilhas – “Arquitetura da webnotícia. O que aconteceu à pirâmide invertida?”.

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As mais recentes dificuldades do presidente norte-americano, George Bush, dão o mote para uma prosa provocatória e (naturalmente) discutível sobre o estado do jornalismo nos Estados Unidos – este ‘All the King’s Media’, de William Greider, no The Nation.
Excertos:
1. “Heroic truth-tellers in the Watergate saga, the established media are now in disrepute, scandalized by unreliable “news” and over-intimate attachments to powerful court insiders. The major media stood too close to the throne, deferred too eagerly to the king’s twisted version of reality and his lust for war. The institutions of “news” failed democracy on monumental matters. In fact, the contemporary system looks a lot more like the ancien régime than its practitioners realize. Control is top-down and centralized. Information is shaped (and tainted) by the proximity of leading news-gatherers to the royal court and by their great distance from people and ordinary experience“.
2. “People do find ways to inform themselves, as best they can, when the regular “news” is not reliable (…) The centralized institutions of press and broadcasting are being challenged and steadily eroded by widening circles of unlicensed “news” agents–from talk-radio hosts to Internet bloggers and others–who compete with the official press to be believed. These interlopers speak in a different language and from many different angles of vision. Less authoritative, but more democratic. The upheaval has only just begun, but already even the best newspapers are hemorrhaging circulation“.
Encontrei a referência no blog de Dan Gillmor.

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…e se Lobo Antunes tivesse um blog…

Blogar ou não blogar…eis a questão que, pelo que escreve Claire White, também já ocupa uma ou duas linhas de pensamento de alguns escritores.
Existe – diz ela – todo este mundo novo, ao qual um número crescente de pessoas com interesse pela leitura parece estar a dar atenção e isso deve soar como uma sineta nos espíritos de quem faz da escrita a sua profissão.
Claire White lista os prós e os contras de ter um blog mas parece-me ter uma visão positiva do impacto da ferramenta na aproximação entre escritores e leitores.
Transpondo isto para a nossa dimensão, imagino (egoísta, bem sei) o prazer que teria em passar os olhos num blog mantido por Lobo Antunes, por Mia Couto, por Saramago, ou por Mário de Carvalho…
Encontrei a referência original no Bloggers Blog.

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agência blog

Aparece formalmente na próxima sexta-feira uma agência de comunicação argentina que se propõe aproveitar a ‘imensa potencialidade dos blogs’.
Será mais um exemplo de como a blogosfera – e, sobretudo, a ideia de uma rede de expressões, ideias, trabalhos, projectos, opiniões – começa a trilhar um caminho mais maduro de penetração nos tecidos social e económico.
Da proposta de partida, de Irene Fernandéz e Eduardo Betas, retiro o seguinte excerto:
Una agencia que se plantea producir Internet en primera persona porque estamos convencidos de que entramos en una etapa de ser en la red y no sólo estar en ella. Es decir, nos proponemos facilitar el imprescindible diálogo que hoy debe tener la empresa, la organización con su público. Porque hablando se entiende el mercado…”.
Informação original recolhida no Bloc de Periodista.

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