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Archive for Março, 2006

A reter

O Pedro Fonseca apresenta-nos um trabalho sobre o uso que, ao longo de quase duas décadas, políticos de várias orientações fizeram da ideia "1 por cento do PIB para a investigação".
Imprescindível – ler e reter (para usar, por exemplo, quando alguém se lembrar de dizer que os blogs não trazem nada de novo…). 

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Sob o título genérico "Putting the WE in Web" a Newsweek faz das ferramentas de auto-publicação/colaborativas a capa do seu mais recente número.
É um sinal da importância de uma novo olhar sobre a rede e sobre o que nela fazemos.

Já não vamos a um lugar estranho, meio-humano-meio-ficção (essa coisa do ciberespaço) mas usamos estas ferramentas para estar com os outros e para ser parte substancial do que somos; como se diz no texto, "a rede é onde vivemos".
Excerto:

What makes the Web alive is, quite simply, us. Our presence, most often conducted at the speed of broadband, is constant and mandatory. Thanks to our activity, the Web has replaced phone books, and is in the process of replacing phones. It's the place that answers our questions in four tenths of a second and ships us funny clips that mix the "Back
to the Future" guys with the "Brokeback Mountain" soundtrack. It'sthe
main news source for the non-arthritic population, and a megaphone for
those who make their own media. As we keep offloading our activities to the Web and adding previously unmanageable or unthinkable new pursuits, it's fair to say that our everyday exist-ence is a network effect. That has made some splendid opportunities for smart, nimble new companies,
and threatened the existence of old ones now afloat in the mainstream.

Vi a referência pela primeira vez no Engrenagem.

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ai, ai, ai…

O espaço Blue Plate Special.net promete ser um interessante repositório de alguma da investigação que fazem os colaboradores/discípulos de Jay Rosen na New York University.
Ainda assim, lê-se este texto sobre a adopção dos blogs por parte dos jornais e é impossível evitar um sorriso – para tão altas pretensões fez-se investigação a menos e tiraram-se conclusões a mais.
(veja-se o ante-título: "English-speaking press seems ahead"…seems?…então não verificaram bem?…seems ahead?…a amostra dá para verificar? – dois ou três jornais britânicos, dois espanhóis, um francês e um italiano, no caso da Europa!).

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um passinho de pardal

Um dos jornalistas com mais responsabilidade na SIC – não apenas pelo cargo que ocupa (director de Informação) mas também pelo facto de ter estado ligado a posições similares desde o início da estação – Alcides Vieira, escreveu há dias no DN uma frase que me parece significativa:

Dar notícias era um exclusivo de jornalistas. Hoje qualquer pessoa pode
publicar opinião, fazer rádio ou televisão pela Internet. A grande
questão que se coloca aos leitores e aos telespectadores é como
distinguir a foto da fotomontagem, o facto real da notícia inventada.
O acesso quase generalizado às novas tecnologias e a interactividade
entre os novos meios e os novos públicos obrigam os jornalistas a
repensar a profissão.
Antes que alguém o faça por eles.

Embora não partilhe o ponto de partida de Alcides Vieira (e muito menos algumas das suas ideias sobre a o jornalismo e as suas práticas) creio que a frase é um sinal positivo. Um 'passinho de pardal' a caminho da necessária reflexão sobre o papel do jornalismo no novo universo de comunicação.

Ouvir
o que, sobre esse assunto, diz Jeff Jarvis não fará mal a todos os que estão dispostos a participar nesse processo e espreitar o que publicações como o Guardian estão a fazer também não seria má ideia (O Guardian, aliás, passou, no espaço de pouco mais de uma década, de uma publicação em papel com problemas sérios para um produtor de informação em diferentes suportes de grande sucesso e qualidade. A mudança fez-se pela qualidade do trabalho, pela sua credibilização e pela entrada, em força, em novos espaços. Um exemplo).

Encontrei a ligação para o texto do Alcides Vieira no Ponto Media

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José Ramos

José Ramos pertence ao universo das razões pelas quais ainda hoje sinto a rádio como o meu espaço de conforto.
Muito antes de ser ‘a voz da SIC‘, José Ramos já me apresentava ambientes sonoros completos na Rádio Nova e na Comercial. Sabia encher de sentido palavras simples e sabia, como poucos, tirar partido do silêncio.
Vai ser sempre o único capaz de tornar credível algo tão disparatado como “Castrol…é melhol”.
Vai ser o dono de um canto na minha memória onde se pode ler: ‘a voz’.

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Esclarecimento

Na pgina 14 do Pblico de hoje apareceu uma ‘novidade’:

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, foi contactado por vrios autores de blogues temticos com vista a receberem informaes diversificadas sobre comunicao social. A proposta dos bloggers, entre os quais se encontram professores universitrios e jornalistas, consiste em ter acesso s notas habitualmente enviadas para as redaces.

Tratar-se-ia, de facto, de uma novidade se assim fosse.
Acontece que no .
Sendo o Atrium um dos blogs listados na notcia, creio que importa deixar aqui um esclarecimento. Nunca pedi para integrar qualquer listagem do gabinete de Santos Silva e nunca me organizei com outros bloggers nesse sentido.
O que ocorreu – e isso foi feito de forma bem visvel, na caixa de comentrios – foi que recebi, semelhana de outros bloggers, um e-mail assinado por Carlos Narciso pedindo um endereo de e-mail para o envio de informaes. Tomando por vlida a identidade de quem escreveu foi, portanto, um assessor do ministro que contactou os blogs e nunca o contrrio.
O texto, como se nos apresenta, portanto falso.
Um responsvel do Pblico indicou-me que a informao ser corrigida amanh na seco ‘O Pblico errou’, mas confesso que, apesar de anotar com apreo o gesto, o incmodo se mantm.
semelhana do que acontecer com muitos dos que se julgam injusta ou falsamente representados na comunicao social, tambm eu hoje sinto que a correco, nos moldes em que se faz ainda nos media tradicionais, est longe de responder de forma cabal ao desafio – acontece (quando acontece!), geralmente, num espao ‘secundrio’, de frgil apelo grfico e – mais relevante – num momento diferente e distante do original (nos jornais, na melhor das hipteses, na edio do dia seguinte). Por tudo isto, os leitores da correco sero sempre diferentes dos que leram a informao falsa e, por regra, em nmero inferior.
A questo precisa, certamente, de constar de qualquer agenda de reaproximao entre os media e os cidados.
PS: O Atrium aceita, agora como sempre, receber quaisquer informaes sobre temas relacionados com as temticas aqui tratadas. Agradece, alis, todas as que recebeu at hoje. O seu autor no abdica, porm, do direito a sobre elas exercer juzo editorial.
PPS – A correco no saiu na edio do dia 21 de Maro. Vale – a dobrar – tudo o que acima se disse sobre a necessidade de o jornalismo repensar a forma como lida com os seus erros e com as pessoas que por ele so afectadas.

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Feita a ‘entrada de sangue novo’ e a ‘remodelao’ necessria, o Expresso aparece-nos como um semanrio…demasiado igual ao que quis deixar para trs, sobretudo nos erros graves.

A manchete de hoje apresenta-nos (j para no falar na questo em termos editoriais…) um momento que importa assinalar para referncia futura como absolutamente original. A dado passo, apresentam-se dados de uma sondagem que o jornal diz ter feito, sem que em lugar algum da edio (caderno principal, caderno de economia ou revista nica) se publique, na ntegra, o texto das perguntas efectivamente feitas e os resultados das respostas.

Alm disso – e aqui residir parte substancial da originalidade de que falo – o Expresso descarta ainda um elemento essencial em qualquer trabalho srio do gnero com a seguinte frase (a bold, no v a gente esquecer-se!): “ver ficha tcnica na edio anterior“.
Exactamente assim. Os dados que apresentamos so importantes hoje – to importantes que fazem manchete da edio – mas no temos espao nem para os publicar nem para a ficha tcnica. Os leitores que quiserem, podem ir rebuscar os ‘papeles’ l do bairro. Os outros…ora essa…os outros que…
mau demais para ser confundido com jornalismo.
Conselho Deontolgico? ERC? Anyone?

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Nasceu o JPR

Acompanhei o projecto em alguns dos seus passos e sou testemunha do enorme empenho dos seus responsveis e colaboradores.
Sabia at em que dia estava prevista a sua ‘apresentao oficial’ e, como combinado, cheguei a receber a ‘senha’ (s 2h40 de sexta-feira):

Nasceu s 02h40.
Um abrao.
PL

Ainda assim, no fiz o que devia a tempo. Pelo atraso me penitencio.
O JornalismoPortoRdio est online e apresenta-se com uma imagem muito elegante e com uma estrutura que reflecte muitas horas de trabalho.
Parabns ao Pedro, ao Rios, ao Candeias, ao Tiago e a todos os outros que tornaram possvel um projecto muito interessante de contacto do universo acadmico com o que pode muito bem ser o futuro da rdio.

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Como tero provado os leitores mais atentos do blog esta foi uma semana de algum abandono.
Em parte, a explicao reside no facto de o Instituto de Cincias Sociais da Universidade do Minho (onde trabalho) estar em perodo de mudana de instalaes.
A casa nova – para no fugirmos a um dos esteretipos mais lusitanos – ‘est pronta’ antes de estar pronta e isso tem evidentes implicaes no trabalho e nos humores de quem participa na aventura.
Para o melhor e/ou para o pior j no novo espao (desvalorizando, naturalmente, lama, entulho de obra e p…muito p) que me ‘apresento ao servio’ na segunda-feira (…espero ao menos ter rede!).

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Jornadas

Na semana que agora termina participei em duas jornadas promovidas por alunos universitrios sobre questes relacionadas com os media.
Na tera-feira, em Portalegre, tive muito gosto em conversar com o Rogrio Santos e com o Paulo Querido sobre blogs, no mbito das X Jornadas de Comunicao. Foi uma tarde bem passada, num auditrio acolhedor e com um grupo de alunos simptico e genuinamente interessado. Talvez tenhamos todos ganho mais alguns bloggers – isso deixa-me satisfeito.
Na quinta, j em Braga, participei no painel sobre o poder da Comunicao Social (com Helena Matos, Jos Manuel Mendes e Pedro Cruz), a encerrar as X Jornadas de Direito da UMinho. Aqui, a discusso andou mais em torno dos novos enquadramentos legais, das presses a que os jornalistas esto sujeitos, da forma como o Ministrio Pblico parece encarar a profisso e o seu papel na sociedade.
Em ambos os momentos constatei que uma dose significativa de inquietao nos afecta a todos, de maior ou menor forma. E isso – sendo historicamente o maior motivador do engenho humano – no deixa de ser relevante para ler as aces/no aces de que vamos tendo ecos nos dias que correm.

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um ano mais um

O Atrium completa hoje dois anos de existncia. Olhando para o que escrevi h um ano atrs tudo me parece igualmente vlido – o espao (apesar de ter cara nova) continua a ser o mostrurio das minhas preocupaes, o expositor de algumas esperanas e o assento de grande parte da dvidas.
Neste segundo ano de vida o Atrium ter-se- apresentado num tom menos optimista, sendo um reflexo de um processo de amadurecimento de algumas ideias feito em campo aberto. Nesse particular, a experincia continua francamente positiva. E por isso mesmo faz sentido andar mais um pouco. Porque a aprendizagem ainda s agora comeou e este ‘agora’ renova-se a cada instante.
O blog o dirio pessoal que no consegui nunca escrever mas tambm a minha ‘caixa de sabo’. bloco de notas avulsas mas tambm espelho de um esforo de coerncia. Consegue ser to ‘barulhento’ como o autor e consegue (conseguir?) ser to atento ao detalhe e to cuidado como o autor cr tambm ser.
Confuso? Pois . um blog (e valha-nos o facto de no formar “um todo coerente”).

Obrigado a todos os que me acompanham nesta imprevisvel viagem.

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Technorati: 30 milhes

A Technorati acompanha j mais de 30 milhes de blogs. A passagem dos 20 para os 30 aconteceu em menos de seis meses.
Para se ter uma ideia da forma como cresceu este servio (contribuindo, naturalmente, para a designao da empresa como um dos dez potencialmente maiores alvos de futuras operaes de aquisio por parte dos ‘grandes’ do mercado neste ano de 2006) aqui ficam alguns dados:

  • Julh 04 – 3 milhes
  • Out. 04 – 4 milhes
  • Dez. 04 – 5 milhes
  • Mai. 05 – 10 milhes
  • Out. 05 – 20 milhes
  • Mar 06 – 30 milhes

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Cavaco presidente

Um olhar muito pessoal sobre as primeiras pginas de hoje:

  • O DN e o Correio da Manh escolhem uma ilustrao da mesma cena; sobretudo bidimensional e aposta no registo ‘homem de famlia’;
  • O JN obtem, a partir do mesmo momento, uma imagem que nos diz algo de diferente: o homem que vai frente, o ‘timoneiro’ confiante;
  • O 24 Horas esquece o novo PR e ilustra um ttulo sobre a princesa de Espanha com uma foto-ilustrao cheia de intencionalidade de Almeida Santos, Pedro Santana Lopes e Pinto Balsemo;
  • O Pblico escolhe dar-nos um pormenor do momento mais solene da cerimnia de tomada de posse. No vemos Cavaco Silva, mas vemos a sua mo sobre a Constituio e quase ouvimos o ‘juro’ (o encarnado do volume aproveitado para a caixa e para o ante-ttulo).


A ilustrao que aqui apresento demonstra bem o meu sentimento quanto que julgo ser a melhor ‘primeira’. O Pblico tem, de longe, o registo mais bem conseguido – na foto est a solenidade do momento, a carga emocional da mudana de ciclo, a responsabilidade e o compromisso. E isso consegue-se de uma forma esteticamente lmpida.
A opo do JN ser, ainda assim, a melhor de todas as restantes, se bem que a foto no nos traz muito mais para alm do que nos mostra.
O ponto de partida do DN e do Correio da Manh – acho eu – errado. No foi em torno do ‘homem de famlia’ que se fez o dia de ontem, foi em torno do ‘homem de Estado’.
O registo do 24 Horas, embora fiel a uma linha editorial coerente, tem muito pouco de jornalstico.
Porque no estavam, esta manh, ainda disponveis online, no pude acrescentar a este grupo as imagens das primeiras pginas do Metro e do Destak.

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Benfica, “the Spanish side

Um colega de trabalho chamou-me a ateno para uma notcia curiosa na edio online do jornal escocs, The Herald.
O jornalista que acompanhou o jogo entre o Liverpool e o Benfica, no estdio de Anfield, escreveu, a dado passo:

Benfica, in contrast, had few opportunities but converted two of them with sublime technique and a chilling finality.
The Spanish side brought a narrow lead from the first leg, but ultimately deserved to go into the quarter-finals.

No a primeira vez que isto acontece. Mas continua a ser grave. Muito grave. precisamente de situaes destas que se alimenta parte substancial da campanha ‘toda a gente jornalista’.

PS: Gostei muito de ver o Benfica vencer, mas no sou benfiquista – fica aqui a ‘declarao solene’ 🙂

PS 2: O envio de e-mails de protesto (em que participei) ao editor de Desporto do The Herald deu resultados. Algumas horas depois, a notcia foi corrigida; l apareceu o “Portuguese”. relevante que assim tenha acontecido, tanto mais que, por regra, a edio online s costuma ser actualizada uma vez por dia, s 2h00. Fica, no entanto, ainda algo importante por fazer (pelo menos na edio online) – admitir o erro e pedir desculpa aos leitores (podia acontecer no fim da notcia, por exemplo). Mas h hbitos que levam muitos anos a alterar. Pacincia, pacincia…

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