Vale a pena

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Se razes outras faltassem, o texto de Eduardo Lourenço vale hoje bem o preço de capa do Público.
E valeria também – porque não imagino o Público, a médio prazo, a querer contentar-se com um alcance de umas dezenas de milhar de pessoas quando pode muito bem ocupar um lugar de referência no universo informativo de uns milhões – a disponibilidade ‘aberta’ no seu site.

Excertos:

“Num mero jogo de futebol é tudo aquilo que somos sem saber que o somos que toma voz e fica, literalmente falando, fora de si. Um fora de si que é ao mesmo tempo paranóia redentora e alienação absoluta. Por definição, como todos os êxtases, esgota-se no momento da sua plenitude. Mas recuperada pela memória e sem cessar reciclada é a origem de todos os mitos. Dos meramente lúdicos aos culturais”.

“Parece impossível mas é verdade: o combate heróico que virtualmente nos espera, na visão do L’Equipe ou do Fígaro ou da outra imprensa, não é o do confronto da pátria de Figo e a de Zidane. O match de hoje é descrito pela imprensa francesa como uma espécie de revanche dos brasileiros Scolari e Deco contra essa França que humilhou os anjos da bola. É um combate auriverde e nós, portugueses, os “magriços” do Brasil. Há pior emprego. É uma surpresa pelo menos na óptica dessa leitura francesa – tão “maravilhosa” que nem se sabe como glosá-la. É a primeira vez que de fora dessa pátria das luzes somos associados ao Brasil, só precisamos que o Brasil se associe a esta visão francesa. Já ganhámos tudo mesmo se perdermos”.

Colagem de fotos recolhidas nos grupos ‘World Cup‘ e ‘Fifa2006‘ do Flickr.

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