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Archive for 13 de Julho, 2006

Ó Faustino!

O “Clube de Jornalistas” de ontem, centrado na questão do jornalismo nas rádios locais, foi um programa suficientemente esclarecedor, mesmo para quem andasse mais distraído.
Foi possível perceber que algumas rádios locais – como a Rádio No Ar, de Viseu (que nos deu a todos,ainda recentemente, o privilégio de ouvir o “corram-nos à pedrada” de Fernando Ruas) – fazem um esforço enorme para que o seu jornalismo sobreviva à margem dos poderes económico e político mas que um número significativo de outras estações vivem num estado de ‘jornalismo de serviços mínimos’.
Sendo que a questão deve preocupar os jornalistas (as suas estruturas sindicais e a estrutura que gere a atribuição de títulos profissionais) e os legisladores, ela parece não preocupar nada o responsável máximo pela Associação Portuguesa de Radiodifusão, José Faustino.
O Sr. Faustino diz que o jornalista de uma rádio local devia ser “um técnico-profissional”, não havendo qualquer necessidade de ter formação universitária e/ou formação específica. Por razões da ordem da “flexibilidade” esse técnico estaria mais apto a exercer um leque mais variado de funções na rádio (imagino eu: entrevista, negoceia o patrocínio, preenche os respectivos contratos, edita e põe no ar o trabalho).
Ora sim senhor, José Faustino.
Poderá, assim, haver Jornalistas e jornalistas…uns com mais obrigações e outros, por causa da tal da ‘flexibilidade’, com menos.
Uns podem ser formados em Comunicação e ou outros até podem saber ler e escrever, desde que isso não interfira com a sua ‘flexibilidade’.

A ele, ao José Faustino – cuja permanência no cargo é sintomática dos graves problemas que as rádios locais precisam de resolver com urgência – e a todos os outros recomendo, a propósito, a leitura de uma entrevista do Voz del Sur a um decano do jornalismo chileno, Emilio Filippi, que já foi embaixador em Portugal e que já recebeu o Prémio Rei de Espanha (1983) pela sua defesa da liberdade de expressão.
Diz ele que a profissão não perderá a sua valia a menos que “nos dejemos estar y aceptemos, sin pudor, que el periodismo con valores y principios ha entrado en coma”.

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