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Archive for Fevereiro, 2007

Uma (H)onda de spin

Já todos nos habituamos a ver marcas de bebidas alcoólicas ou de tabaco inventarem novas áreas de negócio – vestuário, calçado, acessórios, relógios, etc. – mas parece-me que a mais recente ideia da Honda é pioneira.

O seu carro de Fórmula 1 para 2007 não vai ter, em grande parte da estrutura externa, os apoios de marcas conhecidas. Em vez disso, apresentará uma representação gráfica do planeta Terra, sendo que cada micro espaço de 2,5mm de lado pode vir a ostentar o nome de um ‘patrocinador’ anónimo.
É uma estratégia de marketing all-in-one: promove-se a defesa do ambiente (os fundos revertem a favor de uma entidade sem fins lucrativos que os deverá distribuír por projectos considerados válidos), promove-se o ‘acesso’ dos YOU a uma oportunidade até agora indisponível (uma espécie de reciclagem da million dolar homepage) e, por arrastamento, promove-se uma imagem diferente de um desporto cuja essência tem muito pouco a ver com equilíbrio ou desenvolvimento sustentado (se pensarmos, por exemplo, na poluição sonora de um F1 ou nos consumos de combustível a rondar os 70 litros por cada 100 Km).
O espaço está disponível desde as 12h00 de hoje…e estão criadas as condições para um enorme sucesso.

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34 % dos americanos usam Wireless

Um estudo recente do Pew Internet and American Life Project revela que 34 por cento dos inquiridos diz ter já acedido à net por uma ligação wireless (a partir de casa, do emprego ou de outro local).
Quase 20 por cento destas pessoas têm ligações wireless em casa.
Os dados parecem indiciar que falamos de um grupo (sobretudo homens) com rendimentos acima da média, formação acima da média e idades compreendidas entres os 18 e os 49 anos.
Portugal continua, parece-me, a distanciar-se substancialmente. O Relatório da UMIC relativo a 2006 indicava, recorde-se, que apenas 35 por cento dos lares nacionais tinha ligação à rede (uma evolução de 4 por cento relativamente a 2005) e que só 7 por cento desses lares teriam ‘outra ligação wireless de banda larga’.
Bem sei que um dado não pode ser comparado com o outro (importaria sempre apreciar o uso do wireless também no emprego e também com aparelhos móveis)  mas creio ser sintomático que esta quantificação nem sequer seja ainda considerada relevante a ponto de se autonomizar num relatório sobre a Sociedade da Informação no país.
O fosso digital será, naturalmente, mais uma sucessão de valas…e Portugal está a ficar preso numa delas.

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Reuters Africa

A Reuters lançou um serviço especificamente centrado no continente africano.
É um sinal positivo.
É um sinal, diz Rebecca MacKinnon, de que algo está a mudar:

First, it demonstrates Reuters’ commitment to covering Africa not only as a general news story but also as a global business story – to an extent that I have not seen in other global English-language media.

Second, Reuters Africa extends the news agency’s commitment to build synergies between the work of Reuters reporters and the work of bloggers from around Africa, who paint a much more diverse and vibrant picture of the continent than mainstream news reporting tends to do.
(A Reuters é um dos paceiros do projecto Global Voices)

O Press Release com o anúncio está aqui.
Dan Gillmor está encantado (foi de lá que parti para a série de links que sugiro).

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O clu(eless)be da Teresa

O ‘Clube de Imprensa’ de ontem, na RTP2, tinha um tema interessante – as mudanças na dita imprensa de referência em Portugal – e contava com as presenças dos responsáveis editoriais do Público, do Expresso e da Visão.
Percebi em todos os intervenientes uma dose simpática de honestidade quando se referiam aos tempos que vive o jornalismo (esta espécie de ‘túnel de vento’, como lhe chamou Henrique Monteiro).
Houve momentos de quase desabafo, do género “não sabemos bem”.
Mas houve também sinais de que essa atitude se mistura ainda com muito do facilitismo que todos disseram ser necessário empurrar para fora do jornalismo.
Lembrei-me logo de associar o que via a um video-paródia-de-um-anúncio-da-apple em que dois ‘jornais’ discutem entre si sem perceber – de facto – o que lhes está a acontecer.

Cores bonitas, ‘trend features’ e palavras roubadas a uma ‘power-talk’ ouvida nos congressos da WAN podem não ser suficientes.

Eencontrei a sugestão do video aqui.

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Os blogs – conversa de café

Só agora me dei conta de que está disponível a conversa que – via e-mail – tive com João Ferreira Dias sobre a minha relação com os blogs.
A entrevista faz parte de uma série que conta já 70 testemunhos.
Obrigado, João.

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O bloger europeu…é ela!

Tiscar Lara aponta-nos, com algum cepticismo, para uma notícia no ElMundo onde se diz que, de acordo com um estudo recente, o blogger europeu tipo será UMA blogger, com 31 anos de idade, formação superior e uma presença de cerca de 16 horas semanais na net.
Como o estudo não está online, desconhece-se a metodologia…e Tiscar continua desconfiada, ela que há algum tempo havia perguntado “quantas somos e onde estamos?“.

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luz ao fundo…

Jeff Jarvis acha imprescindível

Standing O! Shout amen! This is your Moses and that’s the promised land. It is not a land of milking money. It is a kingdom of connections. (Sorry, I’ll stop now.)
This is a most impressive post not just because it encapsulates where (I think) media must go but because it proves that it can work

…ler este texto onde se fala de uma empresa de media que ‘já deu a volta’; ou seja, cujos ganhos com o online superam as perdas com o declínio no impresso.
Se descontarmos a excitação a mais e as enormes diferenças entre este negócio particular e a imprensa de grande tiragem, vá lá, é um sinal…um sinalzito.
E por isso dele se dá nota.

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Público? não! P (só)

A mudança que José Manuel Fernandes nos promete hoje, para o Público que começa vida nova a partir de segunda-feira, é gigantesca.
Muda-se a identidade gráfica, muda-se a ordenação interna do jornal, muda-se a estratégia de presença no mercado e muda-se o público alvo.
Muda-se tudo, ancorando a argumentação na fidelidade à ideia fundadora do diário – “um jornal para ler, entender, debater e, ao mesmo tempo, um jornal visulamente forte. E que faz escolhas inovando“.

Do ponto de vista gráfico, as semelhanças com o premiado Guardian são imensas. Ou melhor dizendo, as diferenças são quase de pormenor (em cima, duas páginas do número zero hoje disponibilizado em PDF no site do Público e, em baixo, duas páginas retiradas de uma versão PDF de um exemplar do Guardian).
Se podemos, nesse aspecto, considerar que o Público dá um salto qualitativo muito grande (a presença da cor em todas as páginas, uma organização do espaço que adapta ao papel sugestões da web) temos forçosamente que admitir – por comparação – que a mudança não se aproxima da que representou o aparecimento do jornal no fim da década de 1980.
O Público terá – ainda do ponto de vista da imagem gráfica – contra si o facto acrescido de nem sequer ser o primeiro a ‘adaptar’ o estilo do Guardian ao mercado nacional (o Expresso veio primeiro).

Tendo já tido o privilégio (por cuidado de mão amiga) de ter folheado este número zero (e bem sabemos que folher é bem diferente de visualisar) senti ter entre mãos um jornal sólido, bom, cheio. Percebe-se o genuíno desejo de fazer avançar o diário para uma nova etapa com conviccção e com energia. A imagem torna-se mais presente (e isso é bom), a criação de uma segunda caderno também me parece positiva e a reordenação de algumas áreas tornou-as mais claras.

Dito isto, encontro nele algumas opções que me parecem mais discutíveis (e vou centrar-me apenas naquelas que – na sequência da campanha de promoção – assumia como garantidas).
A primeira é a inexistência dos e-mails dos jornalistas junto às notícias que escrevem. A segunda é a inexistência de um espaço concreto para os contributos dos leitores em substituição do cantinho (pequenino) para as ‘cartas ao Director’. A terceira é a inexistência (esta parece-me inexplicável) de uma ficha técnica.

Sobre aspectos mais específicos do grafismo e, em particular, sobre o logo, reservo o meu juízo final para um momento posterior (preciso de me habituar ao desaparecimento do logo original do Público, preciso de me habituar à opção de uma cor normalmente conotada com os ditos jornais populares e preciso de interiorizar a ideia de que uma só letra poder querer ser mais do que isso – uma só letra).

Nota adicional: Se o número zero está disponível aqui, porque é que pedem às pessoas que o descarreguem por outra via?

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Web 2.0 – a máquina somos nós

Já lemos inúmeros textos sobre o diluír das barreiras entre produtores e consumidores de conteúdos, já ouvimos falar da Web 2.0 e já ouvimos até dizer que essa tal estaria a caminho de ser substituída pela outra, pela 3.0.
Michael Wesch, professor de Antropologia Cultural na Universidade do Kansas disponibilizou, há cerca de uma semana, um video magnífico (com música dos dEUS) onde nos ‘mostra’ muito do que lemos em menos de 5 minutos.

“The machine is Us/ing Us” é, em si mesmo, um excelente exemplo da potencialidade da Web 2.0.
Mas importa que não o vejamos como mais do que isso.
Trata-se, naturalmente, de uma visão benigna e não lhe percebemos sequer uma hesitação prudente.
Mas ela aconselha-se.
A prudência.
E, mesmo para aos que já conhecem a retórica dos filmes EPIC, aconselho uma espreitadela a este Master Plan.

Encontrei a sugestão do primeiro video no deUgarte e do segundo no blog de Pablo Mancini.

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