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Archive for 9 de Fevereiro, 2007

Público? não! P (só)

A mudança que José Manuel Fernandes nos promete hoje, para o Público que começa vida nova a partir de segunda-feira, é gigantesca.
Muda-se a identidade gráfica, muda-se a ordenação interna do jornal, muda-se a estratégia de presença no mercado e muda-se o público alvo.
Muda-se tudo, ancorando a argumentação na fidelidade à ideia fundadora do diário – “um jornal para ler, entender, debater e, ao mesmo tempo, um jornal visulamente forte. E que faz escolhas inovando“.

Do ponto de vista gráfico, as semelhanças com o premiado Guardian são imensas. Ou melhor dizendo, as diferenças são quase de pormenor (em cima, duas páginas do número zero hoje disponibilizado em PDF no site do Público e, em baixo, duas páginas retiradas de uma versão PDF de um exemplar do Guardian).
Se podemos, nesse aspecto, considerar que o Público dá um salto qualitativo muito grande (a presença da cor em todas as páginas, uma organização do espaço que adapta ao papel sugestões da web) temos forçosamente que admitir – por comparação – que a mudança não se aproxima da que representou o aparecimento do jornal no fim da década de 1980.
O Público terá – ainda do ponto de vista da imagem gráfica – contra si o facto acrescido de nem sequer ser o primeiro a ‘adaptar’ o estilo do Guardian ao mercado nacional (o Expresso veio primeiro).

Tendo já tido o privilégio (por cuidado de mão amiga) de ter folheado este número zero (e bem sabemos que folher é bem diferente de visualisar) senti ter entre mãos um jornal sólido, bom, cheio. Percebe-se o genuíno desejo de fazer avançar o diário para uma nova etapa com conviccção e com energia. A imagem torna-se mais presente (e isso é bom), a criação de uma segunda caderno também me parece positiva e a reordenação de algumas áreas tornou-as mais claras.

Dito isto, encontro nele algumas opções que me parecem mais discutíveis (e vou centrar-me apenas naquelas que – na sequência da campanha de promoção – assumia como garantidas).
A primeira é a inexistência dos e-mails dos jornalistas junto às notícias que escrevem. A segunda é a inexistência de um espaço concreto para os contributos dos leitores em substituição do cantinho (pequenino) para as ‘cartas ao Director’. A terceira é a inexistência (esta parece-me inexplicável) de uma ficha técnica.

Sobre aspectos mais específicos do grafismo e, em particular, sobre o logo, reservo o meu juízo final para um momento posterior (preciso de me habituar ao desaparecimento do logo original do Público, preciso de me habituar à opção de uma cor normalmente conotada com os ditos jornais populares e preciso de interiorizar a ideia de que uma só letra poder querer ser mais do que isso – uma só letra).

Nota adicional: Se o número zero está disponível aqui, porque é que pedem às pessoas que o descarreguem por outra via?

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