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Archive for Fevereiro, 2009

Uma previsão que Robert G. Picard havia já feito há anos – a de que haveria um período em que a quebra na circulação e nos rendimentos com o papel não seria equilibrada pelo aumento na visibilidade e nos rendimentos com o online – ganha cada vez mais consistência.
Durante não sabemos quanto tempo as empresas (algumas? a maioria? todas?) poderão ter que recorrer a estratégias de sobrevivência para evitar o colapso.
Um recente estudo do Pew Internet Research Center reforça esta leitura – de 2006 para 2008 o número de leitores de jornais (em papel e online) baixou, nos Estados Unidos, de 43 por cento para 39 por cento.

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Enquanto que a Rádio e a TV são ainda meios que, para algumas gerações, mostram sinais de recuperação no mesmo período, os jornais registam perdas em todas (por contrapartida, naturalmente, com a subida registada em todas no online).

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Ainda há dias aqui se escreveu que os jornais não morreram. A observação é, de facto, válida na generalidade mas os casos particulares continuam a acontecer. O Rocky Mountain News, de Denver, fez hoje circular a sua última edição.
O video sobre os últimos momentos de vida de uma publicação centenária é um documento que merece ser guardado.

Vodpod videos no longer available.

more about “Denver newspaper, with the latest Col…“, posted with vodpod

[Sugestão recolhida no Ponto Media]

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Acaba de ser criada a MediosON, a Associação Espanhola de Meios de Comunicação Online. Conta, para já, com a adesão de alguns dos mais importantes grupos daquele país, como a Prisacom, Vocento, Zeta Digital, Unidad Editorial, 20minutos, Prensa Ibérica e Godó.

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Escreve-se na apresentação do também novo site:

(…)se hizo evidente que necesitábamos unir nuestras voces de manera oficial, y constituir una asociación cuyo objetivo fuera representar y promover nuestros intereses ante anunciantes, agencias, instituciones, medidores y demás jugadores del mercado online.

[Informação recolhida no Infotendencias]

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Esta ideia de Matt Thompson parece-me bem apanhada – as notícias devem ser entendidas como a forma de trazer as pessoas ao material de contexto, o tal com valor acrescentado que cada vez mais precisa de ser produzido de forma autónoma pelas empresas.
À natural pergunta ‘mas será que as pessoas querem mesmo o tal do contexto?‘, Matt responde que é apenas uma questão de tempo.

Road infrastructure financing isn’t a sexy topic. Headlines on bonds for road projects may languish unread while cute puppy photos get all the pageviews. But we’ll build and tend that road financing topic page anyway. And one day, when a bumpy ride or flattened tire has you wondering why your city has all these #$%@! potholes, we’ll be ready for you.

Não se trata, diz Thompson, de criar bancos de dados curiosos nem repositórios mostruosos de documentos encostados uns aos outros, mas antes de tomar como ponto de partida aqueles que serão os interesses dos leitores e criar conteúdos relevantes (‘information assets’, como lhes chama).

I’m not arguing that news organizations should create repositories of useless topics in the hope that one day some calamity will make those topics relevant. I’m saying journalists should ask themselves what’s most important for their communities to know, and cover it diligently. Not with the expectation that the coverage will draw an instant wave of traffic, but with the understanding that if it’s truly important, it will spark enough relevant news to draw a significant audience over time. And the more of that context we lay out, the more relevant we can be at any given moment. This is how we’ll begin to build relationships that matter with our communities.

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Steve Yelvington escreveu no início deste mês um post com o qual concordo em absoluto sobre a necessidade de levantar a mão e dizer ‘Alto lá!’ à avalanche de discurso negativista sobre ‘os dias do fim’ (com versões, consoante o escriba, sobre os jornais ou sobre os media tradicionais em geral).

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Escreve Yelvington:

(…) there’s no question that a fundamental restructuring is taking place in a number of dimensions.
Part of that involves a consumer preference shift from print to digital. Part of that involves an explosion of sources and choices that knocks the local newspaper out of the nonlocal information business. Part of it involves product disintegration — especially classifieds from news, but also news itself being ripped apart.
Those changes will present huge challenges and demand painful choices going forward, and both the print and digital product lines of local newspapers will have to adapt, along with all of the people who produce those products.
But that doesn’t roll up to a “newspapers are dead” conclusion. There is tremendous demand for local media, both from the people we usually and falsely call “consumers,” and the businesses that we often call “advertisers.” The solutions that work to meet that demand will change. Some companies will fail to change and will die, and others will step in. We can be sure that the future won’t be like the past, but that doesn’t mean there is no future.

PS: E para um olhar às possibilidades ainda em aberto, recomendo este texto de Frédéric Filloux sobre aquele que pode ser…o futuro da Imprensa.

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Numa prosa que foi – como o autor admite – escrita um pouco à pressa, Pedro Fonseca apresenta-nos, ainda assim, uma visão interessante sobre a evolução do sector dos media online em Portugal.
Leitura recomendada e – aos que quiserem – porta aberta para sugestões e para debate.

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Parece-me interessante assinalar (na sequência de um post anterior) que também em termos de design de sites informativos parece estar a acontecer uma mudança no sentido de uma aposta no ‘mais simples, mais limpo’.
A nova presença do Financial Times é talvez o mais conhecido exemplo, mas não é único.

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E, recentemente, duas grandes marcas – o NYTimes e a BBC – apresentaram ferramentas que, aparentemente, foram concebidas para simplificar o acesso à informação nos seus sites.
O article skimer

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…e o News Radar

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Teremos mesmo chegado a um ponto de viragem em termos de design de espaços informativos?
Poderá estar a acontecer a esperada separação, em termos de imagem visual, entre os espaços informativos na net e os produtos-mãe da empresa a que pertencem (tenham eles sido a imprensa, a rádio ou a TV)?

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Roy Greenslade, do Guardian, apresenta hoje uma lista dos 52 jornais locais e regionais que a Grã-Bretanha perdeu em 2008.
Entre fechos e novas aberturas, Greenslade acredita que o mercado encolheu cerca de 4 por cento.
Quem estará a fazer a lista portuguesa?

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Não se sabe muito bem ainda para onde avançam os jornais mas há já alguns sinais de mudança que importa ir assinalando:

– a redução na aposta em áreas como a cobertura internacional;
– os cortes nas despesas com agências de informação (de texto e de fotografia);
– o aproveitamento de recursos (pessoas e conteúdos) de forma mais corrente dentro de grupos de comunicação;
…e também…
– a partilha de conteúdos entre empresas.

É de mais um exemplo disso mesmo – a partilha de conteúdos – que nos dá conta um texto publicado ontem no mediapost: cinco jornais da área de Nova Iorque juntaram-se para formar uma nova empresa, o Northeast Consortium, com o objectivo expresso de trocar entre si textos, fotos e infografias.
De acordos semelhantes já feitos por outras empresas fala-se no 233grados (onde recolhi a informação inicial).

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Tom Foremski, ex-correspondente do FT em Silicon Valley, apresenta-nos a sua lista (e elas já são muitas) de sugestões para reinventar a actividade dos jornais.
São ideias desenvolvidas a pensar na realidade norte-americana mas creio que algumas delas podiam muito bem ser ‘apropriadas’ por jornais portugueses.
Exemplos:

– Focus on original content, do not rewrite wire stories or press releases–people are more likely pay for content they can’t get anywhere else.
– Be a regular and visible part of your local communities by getting out of the office and into those communities.
– Become an active teacher of media literacy and also media production in your local communities. Help teach citizen journalists how to be great journalists, editors, photographers, videographers, etc. Teach how to be effective and ethical.
– Celebrate the best citizen journalists/bloggers in your communities, publish them on your platform.
– Become involved in local events, organize conferences. There is a ton of money in conferences.
– Don’t let advertising networks sell your advertising. They take a huge cut for serving ads and you lose the customer connection. Newspapers should always own their customer relationship.
– Adopt a culture of a “news organization” rather than a “newspaper.” Paper or electron, it shouldn’t matter how the news is distributed.

– Become the host for all important discussions about local issues and politics. Moderate the discussions to ensure civil discourse. Nothing kills discussions faster than offensive comments made by anonymous people.
– Help raise money for schools and other essential local services. Show you are part of the community.

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Snowblog – um exemplo

Em ocasião diferente e num outro blog deixei já bem clara a minha admiração pessoal por Jon Snow – um  jornalista britânico que incluiria sempre numa qualquer daquelas listas de “os melhores”…tivesse ela 20, 10 ou mesmo 5 nomes.
Pois Snow tem, desde meados de Janeiro, um blog onde vai deixando anotações sobre vários assuntos ao longo de uma das suas jornadas de trabalho.

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Alguns posts abrem-nos portas para o que está por detrás do trabalho diário, outros são carregados de opinião sobre temas de actualidade. Há – como anota com perspicácia Charles Beckett – ali a presença do melhor do ‘espírito blog’.
Há, naturalmente, riscos numa exposição deste tipo.
Mas há também muito de positivo.
Jon Snow (que diz, em sua ‘defesa’, não ter mais de 23 anos de idade) terá pensado que valia a pena.
Ganhamos todos, acho eu.

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[Foto de Josephine Dorado]

Henry Jenkins, o co-director do programa sobre estudos de media comparados do MIT e autor do famoso livro ‘Convergence Culture – Where old and new media collide‘, iniciou há dias a publicação em oito partes de um trabalho colectivo sobre ‘spreadable media’.
Estão, para já, disponíveis quatro textos (um, dois, três, quatro).
Excerto retirado da segunda parte:

Consumers in this model are not simply “hosts” or “carriers” of alien ideas, but rather grassroots advocates for materials which are personally and socially meaningful to them. They have filtered out content which they think has little relevance to their community, while focusing attention on material which they think has a special salience in this new context. Spreadability relies on the one true intelligent agent — the human mind — to cut through the clutter of a hyper-mediated culture and to facilitate the flow of valuable content across a fragmented marketplace. Under these conditions, media which remains fixed in its location and static in its form fails to generate sufficient public interest and thus drops out of these ongoing conversations.

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O mais recente estudo do Pew Internet & American Life Project revela que a idade mediana do utilizador do Twitter nos Estados Unidos é de 31 anos, sendo que a idade mediana para o MySpace e para o Facebook será, respectivamente, de 27 e 26 anos (40, para o LinkedIn). O mesmo trabalho indica que 11 por cento dos adultos naquele país já recorrem com frequência a uma destas ferramentas  em que os utilizadores podem partilhar actualizações de forma permanente sobre si e ver as actualizações dos restantes membros das redes a que pertencem.
Percebe-se ainda que o utilizador do Twitter acede mais a informação através de aparelhos móveis e que acede mais a jornais online do que o utilizador médio da internet.20090212_pew_twitterusers_journalism_w2

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Está já disponível, em formato Open Journal Systems, o documento com as actas da conferência Zon Digital Games 2008.
Há contributos sobre ‘Impactos e Cognição’, ‘Design’, ‘Modelos e Narrativa’ ou ‘Ludicidade e Educação’ e há até um trabalho sobre o perfil e os interesses dos participantes na conferência.
Escreve Nelson Zagalo na introdução:

Ao contrário dos parentes das artes puras (ex. pintura) ou do entretenimento puro (ex. circo),
os jogos digitais tiveram a sorte de surgir numa época abençoada pela tecnologia e como tal não
se limitaram a integrar o saber de cada uma das diferentes áreas mas apresentaram-se como o
elemento que elevaria ao extremo o seu uso. Ou seja, requerendo que cada um dos elementos em
jogo – arte, entretenimento e tecnologia – se superasse a si mesmo para em seguida ajudar a
superar os artefactos de jogos digitais.
E é esta superação que obriga a academia a curvar-se perante o entretenimento e perante a
indústria dos jogos digitais. É de facto uma das indústrias mais avançadas na sua complexidade e
desenvolvimento e ao mesmo tempo das que menos tem feito depender o seu avanço do
conhecimento da academia.

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