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Archive for the ‘Economia’ Category

20090909_InternetManifesto_PT_Wordle_w(texto do Manifesto-Internet em português no Wordle)

Estamos, por estes dias, a testemunhar um momento de debate muito importante em torno do jornalismo que temos e do jornalismo que queremos/precisamos (de) ter.
Se, por um lado, temos alguns dos gigantes de media mundiais a darem sinais de deslocamento no sentido de conquistarem rentabilidade imediata nas suas operações na internet – a declaração de Hamburgo e uma recente palestra de James Murdoch são disso exemplo pleno (e notícias sobre o ‘fecho’ do The Economist dão-lhe lastro) – temos, por outro, um movimento de sinal contrário como a recente iniciativa do Internet Manifesto (cujo processo de adaptação à língua portuguesa é, em si mesmo, indicador de novas formas de relacionamento dos jornalistas com o seu trabalho, com as fontes e com as audiências) e textos onde se reflecte sobre os (1) riscos que uma estratégia de ‘lucro fácil + desinvestimento’ trazem para a democracia e para a credibilidade do próprio jornalismo e ainda sobre formas novas de (2) pensar o futuro da profissão.
Independentemente do que pensemos sobre cada um destes assuntos em particular (e não poderemos, certamente, ter posições definitivas sobre nenhum deles) vale a pena ir tomando notas…

Excertos:

(1)
In our exhausting 24/7 news cycle, demand for timely information and analysis is greater than ever. With journalists being laid off in droves, savvy political operatives have stepped eagerly into the breach. What’s most troubling is not that TV-news producers mistake their work for journalism, which is bad enough, but that young people drawn to journalism increasingly see no distinction between disinterested reporting and hit-jobbery.

(2)
Somewhere along the way, we began talking about the future of news in terms of salvation. What will save us? we began wondering. Or, more optimistically: How will we save ourselves? The premise of those questions is flawed. The matter isn’t one of salvation. It’s a matter, rather, of evolution. News will continue, but what shape will it take? What will the transition from the analog world to the digital mean for news as we have known it? What changes and challenges will this new medium trigger in the genetic structure of news itself? Where is the business going, and how will it get there?

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Um texto no espaço FreeExchange do The Economist com um olhar curioso sobre as opções de gestão dos media no tempo presente.
Recomenda-se.
Extractos:

I’m actually a little surprised that journalism has not been more aggressive or successful with appeals for government help. (…) But I would have imagined that the press might have been able to win public support for its operations based on the “public interest” role it plays.
One wonders if the effort to spice up copy to compete with online sites by focusing more on horse-race journalism, entertainment news, and tabloid stories, at the expense of quote-unquote serious journalism—investigative reporting and the like—compromised the news business’ ability to argue for such support.

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O que é ‘quebra cíclica’ de rendimentos e o que é ‘quebra estrutural” de rendimentos?

O que é que, na indústria dos media (sobretudo Imprensa escrita), pode ser atribuído à crise global que se vive e o que é que é já efeito certo de uma mudança definitiva no negócio?

O quadro que Ryan Chittum preparou para a CJReview – tomando por base dados públicos, disponíveis no site da NAA – pode ajudar-nos a tentar responder a estas perguntas.

20090819_CJR_Chittum_USNewspaperIndustry_AddRevenue_Graph

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Marta Kagan publicou uma versão actualizada da popular apresentação “What the F**K is Social Media”.
Vale a pena ver e guardar.

Gostei desta: “social media is like word of mouth on steroids“.

[informação recolhida no Cybersoc.com]

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A agencia de comunicação Evoca, dirigida por Julio Cerezo, iniciou a publicação de uma série de trabalhos sob a indicação genérica cuadernos de comunicación.
O primeiro título disponibilização chama-se “La revolución de la prensa digital” (PDF, 2,81Mb)) e conta com textos de António Delgado, Pepe Cerezo, Juan Varela, Enrique Dans, Ícaro Moyano e Oscar Espíritusanto.

[informação original reconhida no Caspa.tv]

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DSC01671_NIN_wO carismático líder dos Nine Inch Nails (NIN), Trent Reznor, conhecido como um pioneiro de novas formas de contacto directo com a sua audiência específica (ver aqui, aqui e aqui, por exemplo), acaba de publicar num dos foruns do site da banda uma série de conselhos para todos os que tencionam ter uma carreira autónoma.
São indicações concretas, a pensar no universo da música, mas seria talvez interessante tentar reflectir sobre se algumas delas não teriam possibilidade de aplicar-se a outras áreas da comunicação (faça-se, por exemplo, o curioso exercício de substituir ‘música’ por ‘informação’).
Excerto:

Forget thinking you are going to make any real money from record sales. Make your record cheaply (but great) and GIVE IT AWAY. As an artist you want as many people as possible to hear your work. Word of mouth is the only true marketing that matters.
To clarify:
Partner with a TopSpin or similar or build your own website, but what you NEED to do is this – give your music away as high-quality DRM-free MP3s. Collect people’s email info in exchange (which means having the infrastructure to do so) and start building your database of potential customers. Then, offer a variety of premium packages for sale and make them limited editions / scarce goods. Base the price and amount available on what you think you can sell. Make the packages special – make them by hand, sign them, make them unique, make them something YOU would want to have as a fan. Make a premium download available that includes high-resolution versions (for sale at a reasonable price) and include the download as something immediately available with any physical purchase. Sell T-shirts. Sell buttons, posters… whatever.
The point is this: music IS free whether you want to believe that or not. Every piece of music you can think of is available free right now a click away. This is a fact – it sucks as the musician BUT THAT’S THE WAY IT IS (for now). So… have the public get what they want FROM YOU instead of a torrent site and garner good will in the process (plus build your database).

[Foto tirada durante a passagem da ‘Wave Goodbye tour’ por Paredes de Coura, no último dia de Julho]

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Nem de propósito; na sequência do post de há uns dias, sobre o futuro do jornalismo, tomei conhecimento de uma iniciativa que me parece bem curiosa – Kevin Sablan pegou em 22 referências feitas em 2009 ao assunto e elaborou uma timeline.
Para ver e para guardar.

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Em Fevereiro deste ano apresentei aqui exemplos de uma tendência que parecia querer ganhar corpo em 2009 – a da disponibilização de versões de sites informativos mais simples e aparentemente mais acessíveis.
Hoje foi conhecida a interpretação que desse tendência faz o USA Today – o News Deck.

20090715_USAToday_NewsDeck

Parece-me que embora seja talvez cedo demais para começarmos a ver nitidamente um conceito de espaço informativo na Web distante das lógicas de funcionamento da Rádio, TV e Imprensa importa, ainda assim, ir assinalando estas iniciativas, uma vez que me parecem ser passos nesse sentido.

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Excertos de um excelente texto de Clay Shirky na publicação online Cato Unbound:

The hard truth about the future of journalism is that nobody knows for sure what will happen; the current system is so brittle, and the alternatives are so speculative, that there’s no hope for a simple and orderly transition from State A to State B. Chaos is our lot; the best we can do is identify the various forces at work shaping various possible futures.

The logic of the Internet, a medium that is natively good at helping groups communicate at vanishingly low cost, is that the act of forming a public has become something the public is increasingly doing for itself, rather than needing to wait for a publication (note the root) to do it for them. More publics will form, they will be smaller, shorter-lived, and less geographically contiguous, and they will overlap more than the previous era’s larger, more rooted, more stable publics.

The journalistic models that will excel in the next few years will rely on new forms of creation, some of which will be done by professionals, some by amateurs, some by crowds, and some by machines.

This will not replace the older forms journalism, but then nothing else will either; both preservation and simple replacement are off the table. The change we’re living through isn’t an upgrade, it’s a upheaval, and it will be decades before anyone can really sort out the value of what’s been lost versus what’s been gained. In the meantime, the changes in self-assembling publics and new models of subsidy will drive journalistic experimentation in ways that surprise us all.

Importará também ler a igualmente excelente resposta de Philip Meyer (The Vanishing Newspaper).

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Buy One Anyway, é o nome desta ‘campanha’ / proposta para ‘salvar’ os jornais 🙂

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Parece-me um texto de leitura obrigatória, este de Bernard Lunn no ReadWriteWeb.
Diz-nos que a ‘organização do trabalho’ que substitui a integração vertical dos media tradicionais é uma de sobreposição de camadas…uma espécie de pirâmide produtiva não rígida,  com porosidade suficiente para que todos os níveis contactem entre si.
Excerto:

* Bottom: millions of eyes, with camera phones, SMS, Twitter, whatever works at the time. No media firm can replicate this. When people talk about funding journalism through non-profit foundations, it should be along the lines of: make sure everybody in the Peace Corps knows how to do this, or give Amnesty International money to report on prisoner abuse, or give Greenpeace money to report on environmental issues. In fact, not much else is needed beyond what is already happening; the crashing prices of cell phones is making this available to billions of people.
* Middle: the spotters and amplifiers, people who see the potential importance of a story and do a bit more research online and use their network to push the story out. Many of these people have an axe to grind, which makes them motivated, but one has to take what they say with a grain of salt.
* Top: the final mile of media, the trusted brands. Each has to earn the public’s trust every day. When you see a news item coming from multiple sources, which do you click on? Different clicks for different folks; this is no winner-take-all market. Can be MSM, can be niche. But that trust is earned every day. Facts have to be checked, and that takes time, money, and training.

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A Meios e Publicidade revelava ontem que…

O jornal desportivo A Bola deverá apresentar amanhã um site renovado a nível de grafismo e conteúdos. Sob o lema Venha com a Bola dar a Volta ao Mundo, o jornal vai apresentar uma nova edição online com “muita interactividade com o leitor, muita imagem e uma área com informação generalista”,descreve Vítor Serpa, director do jornal, em declarações ao M&P.

Já hoje, como bem reparou o António Granado (num Twit das 14h54) o que todos nós podiamos ver no endereço era coisa bem distinta (imagem recolhida às 15h16)…

20090623_ABola_OUT

Alguém nos levou de volta a meados dos anos 1990 não foi?

É verdadeiramente indescritível.
É absolutamente inaceitável.
Até dói.

PS (16h33):
Voltamos a poder aceder ao site. Agora, ao novo site. Que é muito pouco novo (textos curtíssimos sem qualquer ligação externa, comentários só abertos a utilizadores registados, inexistência de possibilidade de referenciação para redes sociais, design…qual design? – 2 colunas que depois são 3 mas não são sempre iguais porque o quadradinho da publicidade é maior do que uma delas e depois voltam a ser duas mas com uma das colunas na horizontal…).
Continua a doer.
É pena.

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digitalbritainO governo britânico acaba de tornar público o relatório ‘Digital Britain‘, um plano estratégico com o objectivo de garantir que o país consiga estar na “linha da frente da economia digital”.
O relatório apresenta acções e recomendações para proteger o talento e a inovação nas indústrias culturais, para modernizar as estruturas de rádio e TV e apresenta políticas para maximizar os benefícios sociais e económicos das tecnologias digitais.

[Chamada de atenção recolhida aqui]

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Está a decorrer – entre hoje e amanhã – em Barcelona a conferência ‘Power of Print 2009‘, organizada pela WAN (World Association of Newspapers).
Na sessão de abertura, o responsável máximo da organização, Gavin O’Reilly, apresentou um discurso optimista, centrado num olhar global sobre a indústria.
Excertos:

The simple fact is that, as a global industry, our printed audience continues to grow

That this doom and gloom about our industry has largely gone unanswered is, to me, the most bizarre case of willful self-mutilation ever in the annals of industry (…) And it continues apace, with commentators failing to look beyond their simple rhetoric and merely joining the chorus that the future is online, online, online, almost to the exclusion of everything else. This is a mistake. This oversimplifies a rather complex issue.

Ainda que se percebam as obrigações institucionais de O’Reilly e ainda que seja (também) verdade o que diz não será imprudente optar por este tipo de estratégia; fechar os olhos a tantos elementos de uma realidade que é, certamente, mais complexa do que deixa transparecer o seu discurso?

[Sugestão de reflexão de Rosental Alves, via Twitter]

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