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Archive for the ‘Ética’ Category

Num texto cheio de excelentes observações sobre o jornalismo que se faz e de não menos excelentes sugestões sobre o jornalismo que devia fazer-se (por exemplo: as peças poderiam ser acompanhadas de uma pequena caixa sob o título ‘Coisas que nós não sabemos sobre este assunto’), Dan Gillmor apresenta no The Guardian uma listagem que – no mínimo – devia ser discutida em detalhe nas redacções e nas aulas de jornalismo das universidades
Excertos:

Transparency would be a core element of our journalism.
(…)
We would refuse to do stenography and call it journalism. If one faction or party to a dispute is lying, we would say so, with the accompanying evidence.
(…)
Except in the most dire of circumstances – such as a threat to a whistleblower’s life, liberty or livelihood – we would not quote or paraphrase unnamed sources in any of our journalism. If we did, we would need persuasive evidence from the source as to why we should break this rule, and we’d explain why in our coverage. Moreover, when we did grant anonymity, we’d offer our audience the following guidance: We believe this is one of the rare times when anonymity is justified, but we urge you to exercise appropriate skepticism.
(…)
We’d routinely point to our competitors’ work, including (and maybe especially) the best of the new entrants, such as bloggers who cover specific niche subjects. When we’d covered the same topic, we’d link to them so our audience can gain wider perspectives. We’d also talk about, and point to, competitors when they covered things we missed or ignored.
(…)
No opinion pieces or commentary from major politicians or company executives.

Wow!
Wow mesmo!
Quem quer começar a conversa?

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20090909_InternetManifesto_PT_Wordle_w(texto do Manifesto-Internet em português no Wordle)

Estamos, por estes dias, a testemunhar um momento de debate muito importante em torno do jornalismo que temos e do jornalismo que queremos/precisamos (de) ter.
Se, por um lado, temos alguns dos gigantes de media mundiais a darem sinais de deslocamento no sentido de conquistarem rentabilidade imediata nas suas operações na internet – a declaração de Hamburgo e uma recente palestra de James Murdoch são disso exemplo pleno (e notícias sobre o ‘fecho’ do The Economist dão-lhe lastro) – temos, por outro, um movimento de sinal contrário como a recente iniciativa do Internet Manifesto (cujo processo de adaptação à língua portuguesa é, em si mesmo, indicador de novas formas de relacionamento dos jornalistas com o seu trabalho, com as fontes e com as audiências) e textos onde se reflecte sobre os (1) riscos que uma estratégia de ‘lucro fácil + desinvestimento’ trazem para a democracia e para a credibilidade do próprio jornalismo e ainda sobre formas novas de (2) pensar o futuro da profissão.
Independentemente do que pensemos sobre cada um destes assuntos em particular (e não poderemos, certamente, ter posições definitivas sobre nenhum deles) vale a pena ir tomando notas…

Excertos:

(1)
In our exhausting 24/7 news cycle, demand for timely information and analysis is greater than ever. With journalists being laid off in droves, savvy political operatives have stepped eagerly into the breach. What’s most troubling is not that TV-news producers mistake their work for journalism, which is bad enough, but that young people drawn to journalism increasingly see no distinction between disinterested reporting and hit-jobbery.

(2)
Somewhere along the way, we began talking about the future of news in terms of salvation. What will save us? we began wondering. Or, more optimistically: How will we save ourselves? The premise of those questions is flawed. The matter isn’t one of salvation. It’s a matter, rather, of evolution. News will continue, but what shape will it take? What will the transition from the analog world to the digital mean for news as we have known it? What changes and challenges will this new medium trigger in the genetic structure of news itself? Where is the business going, and how will it get there?

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Recebi, na caixa de correio do blog, mais uma mensagem a promover qualquer coisa e a pedir a minha colaboração para a divulgar. Estava quase a mandá-la para o ‘arquivo geral’ quando reparei numa expressão particular. E achei que, afinal de contas, devia mesmo escrever sobre o assunto.
A dita mensagem dizia o seguinte:

Após o lançamento internacional do seu último livro, “TJ Walker’s Secret to Foolproof Presentations,” os co-autores TJ Walker & Jess Todtfeld querem quebrar o Recorde Mundial da maior quantidade de entrevistas de rádio num período de 24 horas.
Em Portugal, junta-se a directora executiva da MTWPortugal que este mês apresentou a empresa aos meios de comunicação social portugueses.
A equipa pode falar sobre diversos assuntos e os que melhor forem ao encontro da estação de rádio e/ou blog. A equipa já tem marcações para mais de 90 estações. 72 é o recorde actual e o seu objectivo destes comunicadores é falarem para mais de 115 estações. As entrevistas irão ocorrer entre as 6am no dia 1 de Junho e as 6 da manhã de 2 de Junho, hora de Nova Iorque, e em inglês e português.

A equipa pode falar sobre diversos assuntos e os que melhor forem ao encontro da estação de rádio e/ou blog“.
A ‘equipa’, pelos vistos, só quer é mesmo falar…não importa sobre o quê.

Mesmo se nos abstrairmos da situação caricata temos ainda nas mãos algo que devia preocupar-nos a uma outra escala; a crescente fragmentação dos consumos de média e a também crescente desvalorização dos papel mediador do jornalista abre espaço a fenómenos de simulacro de comunicação deste tipo. Serão, certamente, cada vez mais frequentes e terão, certamente também, cada vez mais espaço e oportunidade para se apresentarem directamente às audiências.
Ganham os senhores que falam sobre qualquer assunto, claro está.
Mas ganharemos também nós?

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Em momentos de grande indefinição, de alteração da ordem estabelecida, de colapso de sistemas que julgavamos indestrutíveis, emergem cenários de relativização de valores, normas e comportamentos. As guerras civis serão o exemplo mais nítido mas a análise é válida – parece-me – também para a situação do jornalismo na actualidade.

O desabafo recente de uma amigo – “Está tudo louco!” – aplica-se com propriedade a muito do que vemos por aí feito: a governamentalização tão visível de algumas agendas, alinhamentos e trabalhos produzidos,  a ausência de qualquer sentido crítico na publicação de trabalhos sobre assuntos que são – aos olhos de qualquer cidadão mais atento – claros exercícios de lavagem de imagem ou de desvio de atenções públicas (as peças panegíricas sobre o Colégio Militar, para citar um exemplo muito recente), a participação (como instrumento apenas) em lutas entre poderes distintos no Estado (Governo e aparelho judicial, por exemplo), ou a descarada transformação de espaços informativos de grande audiência na televisão em autênticas arenas de circo em que se misturam, sem qualquer ordem racional (já para não dizer jornalística) , ‘notícias’ sobre lançamentos de livros em clínicas de estética, sobre a morte de um chefe de Estado, sobre o futebol nacional ou sobre a nossa carta astrológica.

Em tempos em que tudo pouco vale parece mesmo que vale tudo.

Mas não tem que ser assim.
Não pode.

Importará, portanto, continuar a fazer um esforço – pessoal e comunitário – para separar o bom do mau, o jornalismo que nos faz falta daquele que ainda nos vê como ‘receptores’ (tendencialmente desprovidos de qualquer sentido crítico).

O BOM (muito bom mesmo) – edição de hoje do Público, com o tratamento de dois temas que, por tradição, não são confortáveis para os jornalistas  – os desafios da profissão e os erros que, apesar de tudo, todos os dias se cometem – e com um editorial de Lobo Antunes onde, a dada altura, se diz assim:

“Se tornar a meter o olho entre páginas e receber sinceridade, esperança e sentido com certeza que lerei”.

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O MAU (muito mau mesmo) – a foto-montagem na primeira página de ontem do Correio da Manhã (Pinto da Costa não estava, naturalmente, ao lado de Carolina Salgado). Apesar de assinalada como tal (a letras muito pequenas no canto inferior esquerdo) não faz qualquer sentido e é absolutamente indefensável.

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…fossem todos os jornalistas assim tão seguros da sua falibilidade humana e talvez vivessemos tempos de maior apego simbólico ao seu trabalho.
Esta é, para Craig Silverman, do ‘Regret the Error‘, a correcção do ano – escrita por Dave Barry, do Miami Herald:

In yesterday’s column about badminton, I misspelled the name of Guatemalan player Kevin Cordon. I apologize. In my defense, I want to note that in the same column I correctly spelled Prapawadee Jaroenrattanatarak, Poompat Sapkulchananart and Porntip Buranapraseatsuk. So by the time I got to Kevin Cordon, my fingers were exhausted.

[Sugestão encontrada no ContraFactos]

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A questão – está ou não a BBC a ‘deixar caír’ a palavra recessão dos seus trabalhos jornalísticos em favor  de abrandamento, uma opção mais próxima da linguagem oficial do governo de Londres? – terá sido levantada pelo Partido Liberal Democrata do Reino Unido mas foi o conhecido colunista do Times, Matthew Parris, que a enunciou ontem pela primeira vez:

From tomorrow there is to be a corporation-wide ban on broadcast references to any “economic crisis” when discussing what our Government might prefer to call the “global financial challenge”. In place of “crisis” BBC staff have apparently been instructed to say “downturn” – the same word, incidentally, that Cabinet ministers are pointedly employing in place of “recession” or even “coming recession”. Friday is D (for Downturn) Day in corporation-speak.

O Daily Telegraph deu-lhe, já hoje, mais ímpeto e a empresa reagiu, atráves do editor de economia e negócios, Jeremy Hillman.
Pode parecer questão menor, mas não é.

E por cá, quem usa mais a linguagem próxima da do Ministério das Finanças, quem é?

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Ciberjornalistas em Portugal: Práticas, Papéis e Ética” é o título da tese de doutoramento que amanhã defende e discute Helder Bastos na Universidade Nova de Lisboa. Trata-se do primeiro trabalho sobre esta área apresentado em Portugal.
O júri será constituído por Nelson Traquina, orientador do doutoramento, Cristina Ponte, João Pissarra e os arguentes Rogério Santos e João Canavilhas (o primeiro português a defender uma tese de doutoramento sobre Ciberjornalismo/Webjornalismo, em 2007, na Universidade de Salamanca  Navarra, Espanha).

Helder Bastos, que já trabalhou esta área de investigação no seu mestrado, é docente na Licenciatura em Ciências da Comunicação da Universidade do Porto desde a sua criação, em 2000.
Foi jornalista, entre 1988 e 2003, tendo trabalhado no Jornal de Notícias, Rádio Press e Diário de Notícias.

Declaração de interesse: Este seria sempre um momento importante, considerando a minha própria investigação em curso sobre a mesma área genérica. Mas porque tenho o Helder por amigo há mais de 20 anos sinto-me incapaz de esconder uma enorme alegria pessoal.

[Informação original no blog do Obciber]

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