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Archive for the ‘Imprensa’ Category

Num texto cheio de excelentes observações sobre o jornalismo que se faz e de não menos excelentes sugestões sobre o jornalismo que devia fazer-se (por exemplo: as peças poderiam ser acompanhadas de uma pequena caixa sob o título ‘Coisas que nós não sabemos sobre este assunto’), Dan Gillmor apresenta no The Guardian uma listagem que – no mínimo – devia ser discutida em detalhe nas redacções e nas aulas de jornalismo das universidades
Excertos:

Transparency would be a core element of our journalism.
(…)
We would refuse to do stenography and call it journalism. If one faction or party to a dispute is lying, we would say so, with the accompanying evidence.
(…)
Except in the most dire of circumstances – such as a threat to a whistleblower’s life, liberty or livelihood – we would not quote or paraphrase unnamed sources in any of our journalism. If we did, we would need persuasive evidence from the source as to why we should break this rule, and we’d explain why in our coverage. Moreover, when we did grant anonymity, we’d offer our audience the following guidance: We believe this is one of the rare times when anonymity is justified, but we urge you to exercise appropriate skepticism.
(…)
We’d routinely point to our competitors’ work, including (and maybe especially) the best of the new entrants, such as bloggers who cover specific niche subjects. When we’d covered the same topic, we’d link to them so our audience can gain wider perspectives. We’d also talk about, and point to, competitors when they covered things we missed or ignored.
(…)
No opinion pieces or commentary from major politicians or company executives.

Wow!
Wow mesmo!
Quem quer começar a conversa?

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Muito curiosa a nova campanha do brasileiro O Globo.
A ideia força deixa de ser uma das duas mais comuns – a mais valia de andar bem informado e/ou a mais valia do nosso produto (qualidade, confiança, etc.) – para se centrar numa espécie de ‘terreno comum de cidadania’ que o jornal e os leitores supostamente partilharão.
Há, aqui, naturalmente, sinais de uma mudança na percepção que a empresa mostra ter de si própria e do seu lugar mas há também uma alteração significativa da mensagem sobre ‘para que serve o jornalismo’.
Segundo O Globo o jornalismo – ainda que em torno de temas que se apresentam como não problemáticos (a eliminação de barreiras físicas para todos, o acesso à educação, a higiene do espaço público, a transparência da política) – pode e deve estar ao serviço de causas.
Discutível mas, sem dúvida, digno de nota.

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20090909_InternetManifesto_PT_Wordle_w(texto do Manifesto-Internet em português no Wordle)

Estamos, por estes dias, a testemunhar um momento de debate muito importante em torno do jornalismo que temos e do jornalismo que queremos/precisamos (de) ter.
Se, por um lado, temos alguns dos gigantes de media mundiais a darem sinais de deslocamento no sentido de conquistarem rentabilidade imediata nas suas operações na internet – a declaração de Hamburgo e uma recente palestra de James Murdoch são disso exemplo pleno (e notícias sobre o ‘fecho’ do The Economist dão-lhe lastro) – temos, por outro, um movimento de sinal contrário como a recente iniciativa do Internet Manifesto (cujo processo de adaptação à língua portuguesa é, em si mesmo, indicador de novas formas de relacionamento dos jornalistas com o seu trabalho, com as fontes e com as audiências) e textos onde se reflecte sobre os (1) riscos que uma estratégia de ‘lucro fácil + desinvestimento’ trazem para a democracia e para a credibilidade do próprio jornalismo e ainda sobre formas novas de (2) pensar o futuro da profissão.
Independentemente do que pensemos sobre cada um destes assuntos em particular (e não poderemos, certamente, ter posições definitivas sobre nenhum deles) vale a pena ir tomando notas…

Excertos:

(1)
In our exhausting 24/7 news cycle, demand for timely information and analysis is greater than ever. With journalists being laid off in droves, savvy political operatives have stepped eagerly into the breach. What’s most troubling is not that TV-news producers mistake their work for journalism, which is bad enough, but that young people drawn to journalism increasingly see no distinction between disinterested reporting and hit-jobbery.

(2)
Somewhere along the way, we began talking about the future of news in terms of salvation. What will save us? we began wondering. Or, more optimistically: How will we save ourselves? The premise of those questions is flawed. The matter isn’t one of salvation. It’s a matter, rather, of evolution. News will continue, but what shape will it take? What will the transition from the analog world to the digital mean for news as we have known it? What changes and challenges will this new medium trigger in the genetic structure of news itself? Where is the business going, and how will it get there?

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Um texto no espaço FreeExchange do The Economist com um olhar curioso sobre as opções de gestão dos media no tempo presente.
Recomenda-se.
Extractos:

I’m actually a little surprised that journalism has not been more aggressive or successful with appeals for government help. (…) But I would have imagined that the press might have been able to win public support for its operations based on the “public interest” role it plays.
One wonders if the effort to spice up copy to compete with online sites by focusing more on horse-race journalism, entertainment news, and tabloid stories, at the expense of quote-unquote serious journalism—investigative reporting and the like—compromised the news business’ ability to argue for such support.

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O que é ‘quebra cíclica’ de rendimentos e o que é ‘quebra estrutural” de rendimentos?

O que é que, na indústria dos media (sobretudo Imprensa escrita), pode ser atribuído à crise global que se vive e o que é que é já efeito certo de uma mudança definitiva no negócio?

O quadro que Ryan Chittum preparou para a CJReview – tomando por base dados públicos, disponíveis no site da NAA – pode ajudar-nos a tentar responder a estas perguntas.

20090819_CJR_Chittum_USNewspaperIndustry_AddRevenue_Graph

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A agencia de comunicação Evoca, dirigida por Julio Cerezo, iniciou a publicação de uma série de trabalhos sob a indicação genérica cuadernos de comunicación.
O primeiro título disponibilização chama-se “La revolución de la prensa digital” (PDF, 2,81Mb)) e conta com textos de António Delgado, Pepe Cerezo, Juan Varela, Enrique Dans, Ícaro Moyano e Oscar Espíritusanto.

[informação original reconhida no Caspa.tv]

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Excertos de um excelente texto de Clay Shirky na publicação online Cato Unbound:

The hard truth about the future of journalism is that nobody knows for sure what will happen; the current system is so brittle, and the alternatives are so speculative, that there’s no hope for a simple and orderly transition from State A to State B. Chaos is our lot; the best we can do is identify the various forces at work shaping various possible futures.

The logic of the Internet, a medium that is natively good at helping groups communicate at vanishingly low cost, is that the act of forming a public has become something the public is increasingly doing for itself, rather than needing to wait for a publication (note the root) to do it for them. More publics will form, they will be smaller, shorter-lived, and less geographically contiguous, and they will overlap more than the previous era’s larger, more rooted, more stable publics.

The journalistic models that will excel in the next few years will rely on new forms of creation, some of which will be done by professionals, some by amateurs, some by crowds, and some by machines.

This will not replace the older forms journalism, but then nothing else will either; both preservation and simple replacement are off the table. The change we’re living through isn’t an upgrade, it’s a upheaval, and it will be decades before anyone can really sort out the value of what’s been lost versus what’s been gained. In the meantime, the changes in self-assembling publics and new models of subsidy will drive journalistic experimentation in ways that surprise us all.

Importará também ler a igualmente excelente resposta de Philip Meyer (The Vanishing Newspaper).

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Buy One Anyway, é o nome desta ‘campanha’ / proposta para ‘salvar’ os jornais 🙂

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(13h21 – Nota: A palavra ‘imagem’ substituiu ‘foto’ no título e também numa das frases do texto na sequência da indicação do António Granado nos comentários)

Em dias como ontem – em que uma imagem marcou a agenda informativa de forma tão esmagadora – o fecho de edição terá sido, por certo, complicado para quem tem responsabilidades nos jornais diários.

Percebe-se na imagem em baixo que:

– alguns optaram por enquadramentos ligeiramente diferentes da mesma acção;

– alguns (o ‘i’, e o CM por exemplo) a circunscreveram a lugar de menor destaque;

– alguns (neste caso, um apenas, o DE) escolheram ilustrar a situação com outra imagem.

20090703_Capas_Demissao_ManuelPinho_W
Mas numa situação como estas em que toda a gente se vê quase obrigado a  dar a mesma foto imagem, o que fazer para, apesar disso, o jornal conseguir alguma distinção na banca de venda?

Esmero extra no título de primeira!

E, se só o JN e o JNegócios conseguiram fugir ao uso óbvio da palavra demissão (ou variações), parece-me indiscutível que esta saudável disputa foi ganha, sem margem para dúvidas, pelo JNegócios.
Indicadores tramam Pinho” é, não só, o melhor título do dia mas será, também, certamente, um daqueles que fica a fazer parte do espólio de observadores atentos, estudantes e formadores em Jornalismo.

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A antecipada corrida aos discos – cujas vendas terão ultrapassado 400 mil cópias na última semana – é apenas um sinal da enorme popularidade do tema ‘Michael Jackson’ por estes dias (e, imagino, por muitos dos próximos, com o funeral, as homenagens, a luta pelo dinheiro, a luta pelos direitos…e a luta pela custódia dos filhos).
As revistas de grande circulação fazem, por isso, naturalmente, de Jacko a sua capa.
A pergunta que se pode pôr nesta situação é a seguinte: qual a melhor?

200907_MJ_MagazineCovers_W
A Newsweek opta por nos apresentar ‘ o puto maravilha’, o miúdo que despertou o encanto de muitos e que, por isso e por muito mais, nunca terá chegado a ser miúdo. A Newsweek mostra-nos Michael quando ainda podia ter sido tudo.

A Time – num número especial – apresenta-nos Michael no seu pico; o dançarino exímio, exalando alegria. Michael, o artista, como vamos gostar de o lembrar.

A Q escolha ainda um outro caminho – a última foto (alegadamente…uma das últimas que lhe foram tiradas). É o Michael do fim dos dias, o Michael que se preparava para um ‘comeback’ tão aguardado como temido. É o Michael real, o homem perturbado.

Qual a melhor capa?

(Outros textos sobre capas com Michael Jackson aquiaqui e aqui).

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Parece-me um texto de leitura obrigatória, este de Bernard Lunn no ReadWriteWeb.
Diz-nos que a ‘organização do trabalho’ que substitui a integração vertical dos media tradicionais é uma de sobreposição de camadas…uma espécie de pirâmide produtiva não rígida,  com porosidade suficiente para que todos os níveis contactem entre si.
Excerto:

* Bottom: millions of eyes, with camera phones, SMS, Twitter, whatever works at the time. No media firm can replicate this. When people talk about funding journalism through non-profit foundations, it should be along the lines of: make sure everybody in the Peace Corps knows how to do this, or give Amnesty International money to report on prisoner abuse, or give Greenpeace money to report on environmental issues. In fact, not much else is needed beyond what is already happening; the crashing prices of cell phones is making this available to billions of people.
* Middle: the spotters and amplifiers, people who see the potential importance of a story and do a bit more research online and use their network to push the story out. Many of these people have an axe to grind, which makes them motivated, but one has to take what they say with a grain of salt.
* Top: the final mile of media, the trusted brands. Each has to earn the public’s trust every day. When you see a news item coming from multiple sources, which do you click on? Different clicks for different folks; this is no winner-take-all market. Can be MSM, can be niche. But that trust is earned every day. Facts have to be checked, and that takes time, money, and training.

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A Meios e Publicidade revelava ontem que…

O jornal desportivo A Bola deverá apresentar amanhã um site renovado a nível de grafismo e conteúdos. Sob o lema Venha com a Bola dar a Volta ao Mundo, o jornal vai apresentar uma nova edição online com “muita interactividade com o leitor, muita imagem e uma área com informação generalista”,descreve Vítor Serpa, director do jornal, em declarações ao M&P.

Já hoje, como bem reparou o António Granado (num Twit das 14h54) o que todos nós podiamos ver no endereço era coisa bem distinta (imagem recolhida às 15h16)…

20090623_ABola_OUT

Alguém nos levou de volta a meados dos anos 1990 não foi?

É verdadeiramente indescritível.
É absolutamente inaceitável.
Até dói.

PS (16h33):
Voltamos a poder aceder ao site. Agora, ao novo site. Que é muito pouco novo (textos curtíssimos sem qualquer ligação externa, comentários só abertos a utilizadores registados, inexistência de possibilidade de referenciação para redes sociais, design…qual design? – 2 colunas que depois são 3 mas não são sempre iguais porque o quadradinho da publicidade é maior do que uma delas e depois voltam a ser duas mas com uma das colunas na horizontal…).
Continua a doer.
É pena.

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Está a decorrer – entre hoje e amanhã – em Barcelona a conferência ‘Power of Print 2009‘, organizada pela WAN (World Association of Newspapers).
Na sessão de abertura, o responsável máximo da organização, Gavin O’Reilly, apresentou um discurso optimista, centrado num olhar global sobre a indústria.
Excertos:

The simple fact is that, as a global industry, our printed audience continues to grow

That this doom and gloom about our industry has largely gone unanswered is, to me, the most bizarre case of willful self-mutilation ever in the annals of industry (…) And it continues apace, with commentators failing to look beyond their simple rhetoric and merely joining the chorus that the future is online, online, online, almost to the exclusion of everything else. This is a mistake. This oversimplifies a rather complex issue.

Ainda que se percebam as obrigações institucionais de O’Reilly e ainda que seja (também) verdade o que diz não será imprudente optar por este tipo de estratégia; fechar os olhos a tantos elementos de uma realidade que é, certamente, mais complexa do que deixa transparecer o seu discurso?

[Sugestão de reflexão de Rosental Alves, via Twitter]

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Polémico o mais recente texto de opinião do académico Robert Picard, publicado no CSMonitor.
O que nos diz?
Muito simplesmente que o salário é a compensação pela criação de valor e, no presente, os jornalistas estão a criar muito pouco. Por isso, defende, deveriam receber menos.
Excertos:

To comprehend journalistic value creation, we need to focus on the benefits it provides. Journalism creates functional, emotional, and self-expressive benefits for consumers. Functional benefits include providing useful information and ideas. Emotional benefits include a sense of belonging and community, reassurance and security, and escape. Self-expressive benefits are provided when individuals identify with the publication’s perspectives or opinions, or when they’re empowered to express their own ideas.
These benefits used to produce significant economic value. Not today. That’s because producers and providers have less control over the communication space than ever before. In the past, the difficulty and cost of operation, publication, and distribution severely limited the number of content suppliers. This scarcity raised the economic value of content. That additional value is gone today because a far wider range of sources of news and information exist.
The primary value that is created today comes from the basic underlying value of the labor of journalists. Unfortunately, that value is now near zero.

[Sugestão original aqui]

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