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Posts Tagged ‘Jornalismo’

Show…don’t tell

A infografia é claramente uma das áreas com mais potencial por realizar no jornalismo; os estudos Eyetrack indicam que os leitores apreciam apresentações alternativas de conteúdos informativos e que prezam essa variedade.
E se isso é válido para o papel (em Portugal o panorama, ressalvando honrosas e muito episódicas excepções, é muito pobre) é ainda mais válido para a presença online das empresas jornalísticas.
Aqui fica uma lista de recursos sobre o tema, preparada e actualizada recentemente por Sergio Mahugo.

(Imagem retirada da animação infográfica do El Pais sobre o recente caso Ferrari_McLaren)

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The (not so) special one…

A saída de José Mourinho do Chelsea não é apenas o fim de um grupo de trabalho especial responsável por seis títulos desportivos e por dar ao clube um lugar de destaque na ‘primeira liga’ do futebol mundial. Essa é a perda dos adeptos, mas há outras: perde o futebol inglês, perdem as empresas com direitos televisivos sobre os jogos da Premier League, perdem os patrocinadores, perdem os media ingleses.
E talvez por aí se possa começar a perceber porque deram os principais diários ingleses lugar de grande saliência ao assunto nas suas primeira páginas de hoje, ao contrário do que fizeram alguns dos mais importantes diários generalistas lusos.

Jornal de Notícias, Público e 24 Horas entenderam que o assunto do dia (anterior) não merecia ser destaque da edição. Encontraram, certamente, temas muito mais importantes para o seu respectivo leitor médio, tanto mais que esse tal do leitor médio poderia já estar ‘farto de tanto Mourinho’.
DN e Correio da Manhã seguiram o caminho dos desportivos e também o dos principais diários britânicos.

Aqui, naturalmente, podem levantar-se questões interessantes sobre o que fazem, nos dias de hoje, os jornais:

– falam-nos do que queremos ou falam-nos do que acham que é importante para nós?
– Ou é às vezes uma coisa e às vezes outra?
– Ou – de tanto hesitar em tempos difíceis – não é sequer nem uma nem outra?

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Casual games‘ – oportunidade para o jornalismo

No congresso da SOPCOM que terminou este fim de semana (blog com pormenores aqui) foi muito discutido o futuro do jornalismo, não apenas nas sessões temáticas específicas, mas também noutras sessões, incluindo as plenárias.
Embora a necessidade de mudança seja já assumida como uma quase inevitabilidade há divergências e, sobretudo, incertezas sobre os caminhos a seguir:
– reafirmação do profissional ou abertura ao amador?
– recentrar a actividade em torno de princípios, valores e modos de produção estabelecidos ou abri-la a construções discursivas mais próximas da coloquialialidade, mais arbitrárias na agregação de factos, mais experimentais em termos de partilha de inputs?
– apostar numa reforma de géneros tradicionais ou em estratégias informativas mais fluidas?

Tendo estas opções sido apresentadas em formato de dicotomia penso, porém, que não estamos perante um cenário de alternativas simples; em muitos casos, vamos certamente ter ‘isto E aquilo’ em vez de ‘isto OU aquilo’.
E é nesse sentido que vejo como muito positiva uma aproximação, por exemplo, entre o universo do jornalismo e o universo dos jogos.
Os ‘casual games’ podem ser a porta de entrada porque, em muitos aspectos, trazem ao jornalismo muito do que procura para si nestes tempos – a interacção, a recolha de informação adicional, a criação de comunidades, a visualização de questões complexas.
A urgência – aqui como noutros domínios – é grande.
Há espaço vital em aberto e o jornalismo precisaria de nele marcar presença, sob pena de vir a ser ocupado apenas por grupos de interesses mais ou menos organizados, mais ou menos transparentes.

Aqui fica, com exemplo, um jogo – ao estilo SimCity – em que a pretrolífera Chevron nos dá a possibilidade de gerir os custos económicos, ambientais e de segurança de uma política energética.
(Obrigado Nelson Zagalo – sempre atento responsável pelo surpreendente Virtual Illusion)

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Jornalismo para anunciante

Será bem deixar aqui esta pequena nota sobre um incidente que levou à saída do responsável editorial de uma das mais populares publicações sobre informática, a PC WorldHarry McCracken abandonou a posição depois de o administrador ter interferido com um texto e de, aparentemente, ter dito aos editores que as peças precisariam de ser menos críticas das empresas do ramo ‘especialmente daquelas que são anunciantes’.
Histórias destas são mais comuns do que seria desejável, mas são a realidade crua de uma indústria acossada.

Obrigado Nelson.

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I would not start from here…

Lembrei-me da piada que se conta sobre o irlandês a quem um turista pede informações sobre o caminho para Dublin (e que responde: “Se fosse a si não começava por aqui…“) quando li, no blog do Alex Primo, a referência a uma campanha de publicidade do jornal Estado de S. Paulo que se apoia numa estratégia tão usada nalgumas corridas eleitorais – a auto-promoção à custa das (insinuadas) fragilidades alheias.

Ora, o Estadão – numa iniciativa que gerou natural polémica – acredita que se promove argumentando que os formatos alternativos de informação, nomeadamente os blogs, são pouco fiáveis.
Imagino que alguém tenha ganho bastante dinheiro com a brilhante ideia…e que muitos outros a tenham aprovado.
É sinistro perceber a facilidade com que o medo nos conduz a comportamentos desonestos.

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Publicidade online passa jornais em 2011

Internet advertising is expected to become the largest ad segment in 2011, surpassing newspapers

A previsão até pode muito bem ser descartada como mais uma flechada futurista de alguém com vontade de ser citado.
Mas se assim fizermos podemos estar a dar-lhe menos valor do que merece.
A empresa que apresentou este cenário, a VSS (Veronis, Suhler, Stevenson) é uma firma de capital de risco que, desde 1987, investe sobretudo na área dos Media. Já apostou em mais de 50 companhias e já participou, através delas, em 220 operações de aquisição, movimentando fundos próprios de quase três mil milhões de dólares.
Como diria o outro, o negócio destes senhores é números…e se até eles (agora) também dizem…

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Fra-vergência?

E se em vez de um movimento de convergência estivermos a assistir a uma combinação de convergência com fragmentação – fra-vergência, portanto?
Esta é a pergunta que lançou Sam Smith, responsável pela unidade ‘Future Media Research’ da BBC, durante a conferência Research 2007.
Excerto:

Users are faced with a confusing array of choices. And they are now able to do what has never been possible before, tailor their media to suit their lifestyle. On top of Convergence of Media and Fragmentation of devices, we have third complication – splintering of useage.

Texto completo no blog de Sam Smith.

Recolhi a informação no Infotendencias.

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A mudança do NYTimes – video

Vale a pena ver o video sobre a mudança de instalações do NYTimes, depois de 94 anos num mesmo edifício.
São menos de quatro minutos (clicar na imagem).

…e para quem conhece uma redacção é muito fácil perceber o que pode estar contido na expressão do editor-executivo, Bill Keller:

Newspapering is a culture of complaint

Ainda assim, Juan António Giner diz-nos que tudo não passa de uma enorme oportunidade perdida…

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Murdoch – o último grande patrão dos media?

O mais recente número da revista Time – em todas as suas edições – tem na capa Rupert Murdoch, o magnata australiano de 76 anos que é apresentado (talvez) como o último dos grandes patrões individuais dos media.
Lê-se, a dada altura, num dos textos:

From one newspaper in a provincial Australian city, he has built a global empire that now encompasses 20th Century Fox, MySpace and the Times of London. The man has shown a remarkable ability to sniff opportunity where others don’t. But he is 76, he won’t be around forever, and it’s hard to say what News Corp. will be in the absence of his controversial genius. Quite possibly, it will be yet another family media business that stops being a family business.

(Foto retirada de slide show da Time)

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A falta que faz Sena Santos

A propósito do reaparecimento público de Sena Santos (bem sei que há o podcast) – com uma coluna diária no DN – Eduardo Prado Coelho escreve hoje no segundo caderno do Público:

(…) lembro-me muito bem do que eram as manhãs informativas da Antena Um com Sena Santos: um verdadeiro festival de conhecimentos, imaginação e cultura.
(…)
Para mim, não há dúvida de que todos nós teríamos a beneficiar com o regresso de Sena Santos à rádio. O próprio, porque merece uma segunda oportunidade. E os ouvintes, porque teriam um ritmo informativo, uma qualidade de escuta, uma vertigem de entrevistas e comentários que dão à rádio a força que nem sempre encontramos.

Subscrevo por inteiro.

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A cada jornalista o seu blog

O blog de Howard Owens é de visita recomendada.

Três razões (retiradas de outros tantos posts recentes) todas elas em torno da necessidade de uma nova postura do jornalismo e dos jornalistas:

I want print journalists to GET the web. I want them to understand how the web is different. I want to cure them of their tone deafness to the conversation going on around them.
If you blog in the way blogging is meant to be done, you’ll realize these benefits.
The more journalists who get the web, the better our chance, as an industry, at survival.

Every newspaper web site should do this: Start a blog about local blogs.

It is frustrating to watch people sit around and wait for somebody to teach them.
(…) I think its important for all journalists to take responsibility for their own careers and learn all they can about online content production.
So, my question is, is it worth it for a company to invest time and money to train people who aren’t willing to train themselves?
I mean, the people who invest in themselves are the ones most likely to master the skills necessary to do great work.

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As regras do negócio são outras

Aconselho a leitura de um post de Neil McIntosh sobre ‘este negócio em que estamos‘ – naturalmente, o negócio da produção jornalística.
Tomando como ponto de partida o texto incisivo que Walter E. Hussman Jr., proprietário do Arkansas Democrat-Gazette, publicou na primeira semana de Maio na página de editorial do Wall St. Journal –

It is time for newspapers to reconsider the ultimate costs and consequences of free news.

– McIntosh parte para uma argumentação que, na sua leitura mais simples, poderia ser apresentada da seguinte forma: não é isso, pá! O caminho não é por aí!

In news, we need to work out the fundamentals, because the old fundamentals of news – what worked in print – are changing. And then we need to work out how to put those fundamentals together – in a world with multiple news sources, bloggers, community, ubiquitous broadband, UGC and YouTube. This is the great opportunity for innovation in online news, and big media organisations have a grand hand to play here.
(…)
Get this right and real businesses will emerge; not just fleet-footed new media organisations rising out of traditional newspaper publishers, but new classes of journalistic operation serving niches made possible by the new means of delivery. Get it right and there’s a new dynamism in journalism; many more journalists, doing a better job because we are more connected to our users than ever before.
Get it wrong and – blimey, yes – maybe we will just have governments, and a few businesses that see news as some kind of charitable cause, telling us what’s going on the world in the old, old style, getting lazy because nobody realised it could have been different. But that would be a terrible failure.

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‘Morte’ dos jornais é bom negócio

É com este título que Alberto Dines escreve uma prosa que vale a pena ler no Observatório da Imprensa.
Na essência, argumenta que a ‘construção’ em torno do fim da Imprensa é exagerada e é, sobretudo, uma realidade dos Estados Unidos, fruto do percurso muito próprio que o texto jornalístico escrito fez naquele país nas últimas décadas.
Excertos:

Não há como negar que a imprensa americana está numa penosa enrascada, mas a enrascada é endógena, resultado de circunstâncias específicas, fruto do livre-arbítrio que foi capaz de produzir formidáveis avanços junto com catastróficos retrocessos. Ao tentar reinventar-se a cada temporada, o jornalismo americano perdeu alguns dos seus atributos essenciais herdados dos ingleses.
(…)
A internet veio para ficar: é forma de participação, meio de expressão, ferramenta, veículo de informação, entretenimento e agora com a Second Life tornou-se uma espécie de existência virtual, extraterrena, tecno-esotérica. Mas as maravilhosas conquistas da web são exibidas e transcorrem na tela de um monitor, sua rival em velocidade e formato é a TV. Jornais e revistas são outra coisa. Estão contidos, dimensionados e condicionados pela natureza do papel.

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Hiperlocal: solução ou problema maior?

Uma das opções mais consensuais do momento para que o Jornalismo se mantenha relevante revolve em torno de uma ideia-chave: o hiperlocal (ver este artigo na American Journalism Review). Ou seja, o jornalismo deve (levando até mais longe do que originalmente pensado propostas teóricas próximas do jornalismo cívico) apostar no fortalecimento da sua ligação à comunidade que serve. Deve reformar a sua agenda, deve procurar ferramentas e modalidades de aproximação.
À superfície não se encontra grande problema na proposta.
Afinal de contas, não é numa lógica de serviço aos outros que opera o imaginário profissional?
Mas importa pensar no que fica de fora.
O que fica de fora no produto que vai ser apresentado aos leitores e, sobretudo, o que – com a natural reincidência – fica de fora do chamado conhecimento partilhado que constitui parte estruturante do funcionamento em sociedade.
Ou, como diria, num post com tanto de curto como de preciso, Mark Deuze:

In other words: is hyperlocal journalism the kind of news that particularly, exclusively, serves the paranoid middle class in their gated communities? And thus, in doing so, is journalism really contributing to dismantling that what it always claimed to be providing: a society’s social cement?

É por causa de posts como este (e de muito mais que escreveu em artigos académicos e livros, naturalmente) que Mark Deuze se tornou leitura indispensável para quem pensa estes temas.

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