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Archive for Abril, 2006

It’s the links stupid

São já algumas as indicações de que as empresas jornalísticas mais atentas procuram formas alternativas de complementar a sua oferta (por exemplo, como a agora anunciada opção '24 Horas' do El Pais).
A par de outros sinais, estas movimentações ajudam a cimentar a ideia de que o caminho para o jornalismo na net não passa pelo pagamento do acesso a informação diária. Na rede, quem não aparece esquece. Quem se põe de fora de um novo entendimento da relação entre a produção e o consumo informativo – que pressupõe partilha, transparência, disponibilidade e, sobretudo, acesso não episódico (o carácter de permanência) – fá-lo-á arriscando perda de credibilidade e perda de notoriedade…em última análise, perda de relevância.
A mais recente edição do Economist tem um dossier especial sobre os novos media, com textos sobre blogs e sobre a 'nova ecologia' em que vivemos. Ainda que parte dele esteja indisponível online, aconselho a leitura dos três textos 'abertos'.
Excertos:

"In the new-media era, audiences will occasionally be large, but often small, and usually tiny. Instead of a few large capital-rich media giants competing with one another for these audiences, it will be small firms and individuals competing or, more often, collaborating. Some will be making money from the content they create; others will not and will not mind, because they have other motives";

"The observer, after all, is part of the observation—a product of institutional media values even if he tries to apply the new rules of conversation. This points to the very heart of the coming era of participatory media. It must be understood, says Mr Weinberger, “not as a publishing phenomenon but a social phenomenon".

Encontrei a sugestão no ContraFactos 

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Vale a pena ler a entrevista de Jean-Marie Colombani, director do ‘Le Monde’ ao Expresso (suplemento Actual) de hoje. Não que seja referido algo de substancialmente inovador, mas sobretudo porque Colombani é um respeitado jornalista do papel e as suas palavras apontam um caminho de sobrevivência (e até mesmo de reafirmação) para o jornalismo.

Momentos:

Há um défice de autocrítica, de autocontrolo e de humildade, sobretudo. As derrapagens acontecem quando os jornalistas deixam de ser modestos face aos factos: Ora, os jornalistas existem para expor os factos antes de mais nada. Quando perdem essa noção e se empenham em combates pessoais ou políticos, as derivas podem acontecer” (nota pessoal: à consideração do director-adjunto do Expresso, Nicolau Santos…).

O jornalismo já não tem o monopólio do jornalismo. E quem não perceber isso, morre, porque não saberá adaptar-se e não se transformará de forma a justificar de novo o seu trabalho

Até agora, o conjunto da imprensa considerava que o problema era a sua oferta. Ou seja, se as coisas não iam bem, refazia-se o jornal ou a fórmula, isto é, punha-se em questão a oferta. Mas estamos num sistema em que ela tem de passar a considerar os clientes e deve redefinir com métodos modernos o que considera como tal

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A paragem da Páscoa afastou-me do computador durante uns dias. E, nesse breve período de tempo em que a minha vida prosseguiu de todas as outras formas e com todas as outras experiências, senti falta desta. E lembrei-me, de novo, de algo que li há dias na Newsweek (e que, na altura, aqui apontei): a minha existência na web é cada vez mais parte integral da minha existência e cada vez menos viagem por um espaço que me é estranho, meio-humano-meio-ficção.A web é cada vez menos ciberespaço e cada vez mais um novo (e crescente) quinhão do MEU espaço.
Na edição de hoje do Público, Pacheco Pereira escrevia – a propósito de algo diferente, "A fauna das caixas dos comentários" – "A Rede fica indissociável da nova identidade das coisas, como se entre o mundo virtual e o real a teia fosse completa. E, se calhar, é".
Pois eu também andarei perto deste olhar e, por isso mesmo, quando ausente, sinto falta da rede da mesma forma que sinto falta do pão da Primorosa ou de ler o jornal em papel todas as manhãs sempre que abandono a geografia doméstica durante uns dias.
E estive ausente no momento da apresentação pública da nova imagem do Jornalismo e Comunicação e estive ausente no acompanhamento da morte de um actor que, ao que parece, só para mim era um absoluto desconhecido (aconselho a leitura do post hoje escrito por Felisbela Lopes sobre o assunto), e estive ausente na ausência (ainda que com assinatura de presença antecipada) de representantes da nação com pouco brio (e na sua subsequente defesa do indefensável com soluções que passariam pela suspensão da actividade 'nestas alturas').


(Por mais que escreva sobre este assunto não deixo de o achar digno de nota a cada episódio recorrente e, por isso, a minha insistência)
.

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ERC em debate na UMinho – apontamentos

Algumas notas soltas do que consegui apontar durante a tarde de ontem:

Estrela Serrano
"A ideia de regulação presume que algo está ou pode estar desregulado. A experiência mostra que quanto mais fraca é a auto-regulação maior é a tentação para fortalecer a regulação (…) O público é a razão de ser do jornalismo e dos media. A defesa de uma regulação mínima seria mais fácil e mais convincentes se os profissionais garantissem uma melhor gestão de questões éticas e deontológicas. A identificação de um problema como sendo de natureza económica ou como sendo de natureza de política de comunicação não é marginal.
Comunicação como processo social ou comunicação como tecnologia – distinção não surge clara em muitos dos documentos que se elaboram na área (…) A questão ganha redobrada importância com a Internet".

Felisbela Lopes
"Oferta televisiva nos canais privados é monotemática (de entretenimento), alvo de uma constante contra-programação, infractora da grelha anunciada, desrespeitadora dos horários anunciados; No canal de serviço público – constante mutação, sem periodicidade (…) Não nos dêem a Tv que queremos…nós merecemos mais".

Alfredo Maia
"(sobre o projecto de Estatuto do jornalista) densifica os deveres deontológicos dos jornalistas, incluiu um conjunto de deveres sindicáveis, introduz um regime disciplinar com um conjunto de sanções e atribui à comissão da carteira profissional poderes nesta área. Do nosso ponto de vista, esta solução do legislador – uma de co-regulação – é vantajosa, mas importa ter em conta as condições concretas em que o poder disciplinar é exercido. Importa não perder de vista que os jornalistas são trabalhadores por conta de outrem. Independentemente disto, o sindicato vai manter o seu conselho deontológico, no pressuposto do exercício responsável da profissão.
Valorizamos muito a auto-regulação no interior das redacções e, por isso, valorizamos o reforço dos poderes dos conselhos de redacção. Propusemos ao governo que eles passassem a pronunciar-se, com carácter vinculativo, sobre as nomeações para todos os cargos de chefia, que vissem alargada a sua margem de intervenção nos direitos de resposta e que fosse dada mais consistência à sua actuação no plano da deontologia profissional – apreciar a conduta dos seus pares, com pareceres, recomendações.
(Sobre a 'ausência de auto-regulação das empresas') Estamos disponíveis para a criação de um conselho paritário entre representantes dos jornalistas e das empresas.
(Críticas à génese da ERC) O pecado capital está, desde logo, nas alterações produzidas pela revisão constitucional de 2004. A exclusão dos regulados tem como consequência o seu descomprometimento na área da regulação; a nova entidade exclui a sociedade civil e as universidades – é tempo de as chamar a participar neste processo. Não descansaremos enquanto não forem revistas a lei e a Constituição no capítulo que a isto diz respeito".

António lobo Xavier
"Esta – sobretudo esta ERC – não fui eu que pedi.
Em Portugal os media ganharam um poder muito grande, que outros sectores não têm. Os media estão a ganhar – por exemplo à escola – a batalha pela formação, pela socialização das pessoas.

A política é hoje dominada pela presença na comunicação social; a própria selecção dos agentes políticos dentro de cada uma das estruturas (no quadro de uma competição selvagem para lá estarem e lá se perpetuarem…e eu faço parte desse bando sociológico). A campanha eleitoral é única e exclusivamente feita em obediência à presença e disponibilidade dos jornalistas. Isto especialmente quando a política já não é para elites – eu não vou dizer nomes, mas pessoas que “falam difícil” jamais serão líderes ou candidatos a líder.
O outro problema que vejo é o da concentração; adaptação de uma estrutura operacional a vários órgãos de comunicação social. É uma tendência que vem de todos os outros sectores da economia. Isto é apresentado como sendo um mal. Acho que ela precisa de ser controlada, mas ela não traz males ao jornalismo…talvez traga aos jornalistas.
O problema do pluralismo é muitas vezes uma fachada para disfarçar outras coisas. Se virmos com atenção, todos os partidos estão em todo o lado, falando a jornalistas de várias origens políticas. O problema moderno é um problema de conformação social através de agendas escondidas. Não haveria mal nenhum se houvesse um jornal de referência mais fiel a cada partido político. O pluralismo formal serve para disfarçar as orientações, os alinhamentos, as preferências que aparecem diluídas e disfarçadas.

Não acho, por isso, que é necessária uma autoridade com as características da ERC.
Sou partidário de uma regulação pelo mínimo.
É uma entidade – em termos de lei – trágica
".

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ERC em debate na UMinho – live streaming

Est, neste momento, a decorrer a conferncia sobre a Entidade Reguladora da Comunicao Social, organizada pelo Centro de Estudos de Comunicao e Sociedade da Universidade do Minho.
Os que no esto presentes na sala podem acompanhar a palestra de abertura, proferida pelo ministro da tutela, Augusto Santos Silva e os painis que se seguem AQUI.

A ler, a propsito, este post do Manuel Pinto.

ACT 1: Augusto Santos Silva: “Estou disposto, em qualquer momento, a discutir em detalhe a reviso constitucional de 2004. Mas, por ora, com ela que temos que viver“.

ACT 2: “A quem quiser saber mais sobre a viso mais abrangente que o governo tem sobre este sector aconselho a leitura atenta dos seguintes documentos:
1. Lei que j criou os provedores da rdio e TV pblicos;
2. Ante-projecto de lei sobre o estatuto do jornalista;
3. Propostas de lei da televiso, da rdio e sobre os limites da actividade da CS
“.

ACT 3: Primeiro painel da tarde:
3.1. Elsa Silva e Costa: “Quadro legislativo actual permite a concentrao e isso vai limitar a actividade da entidade reguladora nesta rea (…) No temos restries em termos de capital estrangeiros nem em termos de propriedade sub-sectorial (…) Est por fazer um debate sobre a concentrao nos media em Portugal (…) Problema de natureza conceptual – a questo da concentrao no est bem balizada em Portugal (…) Concentrao no significa forosamente um problema, mas importa que isso seja dito com clareza. Tambm no est provado que propriedade seja o mesmo que controlo editorial. Mas tambm nisto as regras precisam de ser esclarecidos. Finalmente, a lei no clara; o que que so “nveis lesivos da pluralidade”?”

3.2. Pedro Jorge Braumann: “Entidade reguladora nica poderia reduzir o risco de apropriao da regulao por parte dos operadores e de apropriao poltica (…) Objectivos de uma regulao eficaz (exemplo do OFCOM): dar ateno aos problemas dos cidados e consumidores, encorajar a inovao, promover a competio, perseguir uma melhor regulao“.

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Cienciapt…muito pouco net

Decidi, há já uns meses, recorrer à opção ‘remover’ que o portal Cienciapt.net disponibiliza no final das suas mensagens de distribuição generalizada.
Exerci o meu direito legal e – tratando-se de um espaço novo, vocacionado para informação sobre ciência – nunca esperei ter problemas.
Acontece que tive.
O meu endereço de e-mail continua a ser invadido por mensagens do Cienciapt.net.
Nunca recebi qualquer explicação, nunca foi respeitado o meu pedido.
Acabei de enviar a 9ª mensagem aos vários endereços disponibilizados na página de contactos.
Bem sei que não é caso único.
Mas será que quem administra um site desta natureza não percebe?
Será que ninguém vê que uma tal insistência é contraproducente?

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Moisés de Lemos Martins, que anunciou a sua candidatura ao cargo de Reitor da Universidade do Minho na sexta-feira passada, acaba de tornar público o Diário de Campanha, um blog que se apresenta como espaço de debate dos problemas da UM.

Professor catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, Moisés Martins é ainda o director do CECS – Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e presidente da SOPCOM, Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação.
No anúncio da intenção de disputar o lugar actualmente ocupado por Guimarães Rodrigues (que também já afirmou o propósito de se recandidatar), aquele professor sublinha a necessidade de conferir centralidade a uma lógica académica e universitária na condução da instituição; critica a ausência de debate e esvaziamento de alguns dos órgãos de decisão; e aponta o facto de o actual Reitor não ter cumprido uma promessa eleitoral de universalizar o processo de eleição do cargo (embora com ponderação diferenciada de votos).
"Uma inquietação cívica" e uma "inquietação académica" resumem a motivação do agora candidato, na mensagem que dirigiu à Academia.
(Este post é, no essencial, uma réplica do que acaba de ser publicado no Jornalismo e Comunicação)

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