(13h21 – Nota: A palavra ‘imagem’ substituiu ‘foto’ no título e também numa das frases do texto na sequência da indicação do António Granado nos comentários)
Em dias como ontem – em que uma imagem marcou a agenda informativa de forma tão esmagadora – o fecho de edição terá sido, por certo, complicado para quem tem responsabilidades nos jornais diários.
Percebe-se na imagem em baixo que:
- alguns optaram por enquadramentos ligeiramente diferentes da mesma acção;
- alguns (o ‘i’, e o CM por exemplo) a circunscreveram a lugar de menor destaque;
- alguns (neste caso, um apenas, o DE) escolheram ilustrar a situação com outra imagem.
Mas numa situação como estas em que toda a gente se vê quase obrigado a dar a mesma foto imagem, o que fazer para, apesar disso, o jornal conseguir alguma distinção na banca de venda?
Esmero extra no título de primeira!
E, se só o JN e o JNegócios conseguiram fugir ao uso óbvio da palavra demissão (ou variações), parece-me indiscutível que esta saudável disputa foi ganha, sem margem para dúvidas, pelo JNegócios.
“Indicadores tramam Pinho” é, não só, o melhor título do dia mas será, também, certamente, um daqueles que fica a fazer parte do espólio de observadores atentos, estudantes e formadores em Jornalismo.
A antecipada corrida aos discos – cujas vendas terão ultrapassado 400 mil cópias na última semana – é apenas um sinal da enorme popularidade do tema ‘Michael Jackson’ por estes dias (e, imagino, por muitos dos próximos, com o funeral, as homenagens, a luta pelo dinheiro, a luta pelos direitos…e a luta pela custódia dos filhos).
As revistas de grande circulação fazem, por isso, naturalmente, de Jacko a sua capa.
A pergunta que se pode pôr nesta situação é a seguinte: qual a melhor?
A Newsweek opta por nos apresentar ‘ o puto maravilha’, o miúdo que despertou o encanto de muitos e que, por isso e por muito mais, nunca terá chegado a ser miúdo. A Newsweek mostra-nos Michael quando ainda podia ter sido tudo.
A Time – num número especial – apresenta-nos Michael no seu pico; o dançarino exímio, exalando alegria. Michael, o artista, como vamos gostar de o lembrar.
A Q escolha ainda um outro caminho – a última foto (alegadamente…uma das últimas que lhe foram tiradas). É o Michael do fim dos dias, o Michael que se preparava para um ‘comeback’ tão aguardado como temido. É o Michael real, o homem perturbado.
Qual a melhor capa?
(Outros textos sobre capas com Michael Jackson aqui, aqui e aqui).
Duas recomendações de leitura sobre a reacção da net à morte de Michael Jackson:
1. Texto de Paulo Querido, no Expresso, com dados interessantes sobre o Twitter em Portugal;
2. Este video do Twitscoop, registando a forma como, ao longo do tempo, algumas palavras chave ganharam uma enorme relevância (sugestão recolhida neste texto de Charles Arthur, no Guardian).
O Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho promove no próximo mês um workshop dirigido a profissionais de jornalismo e comunicação que tenham experiência ao nível dos gráficos de informação e um domínio básico das suas ferramentas.
O objectivo desta iniciativa, realizada em parceria com a agência Lusa, é “potenciar o uso das possibilidades e das linguagens do meio digital, ao nível da infografia e das narrativas online”.
O curso será ministrado por Aitor Eguinoa (com experiência de trabalho em infografia no El País, El Correo, de Bilbao, e La Nación, de Buenos Aires) e por Xaquin G. V. (La Voz de Galicia, Newsweek e, actualmente, The New York Times, onde trabalha como Graphics Editor).
Com o Michael Jackson que agora acaba de nos deixar tinha uma relação estranha (um pouco como a que tenho com o Herman José que está prestes a aparecer na TVI) – foi, a dado momento da minha vida (e da dele), alguém que muito admirei e tornou-se, com o passar dos anos, numa caricatura ‘gone bad’ pela qual quase só sentia pena.
Guardarei dele, naturalmente, apenas o melhor.
E, nesse preciso momento, ele chegou a ser insuperável.
O melhor do mundo.
Será, talvez, a mais grandiosa festa de mouros contra cristãos do planeta. Acontece em Sobrado (perto do Porto) durante o dia de amanhã. Uma tradição popular que envolve toda a comunidade e que, mesmo para quem já a acompanhou, apresenta ‘mistérios novos’ todos os anos.
Para um S. João diferente, aqui fica a sugestão (detalhes no blog ‘Bugios e Mourisqueiros‘…um projecto pessoal do Manuel Pinto, natural de Sobrado e conhecedor profundo da festa).
Parece-me um texto de leitura obrigatória, este de Bernard Lunn no ReadWriteWeb.
Diz-nos que a ‘organização do trabalho’ que substitui a integração vertical dos media tradicionais é uma de sobreposição de camadas…uma espécie de pirâmide produtiva não rígida, com porosidade suficiente para que todos os níveis contactem entre si.
Excerto:
* Bottom: millions of eyes, with camera phones, SMS, Twitter, whatever works at the time. No media firm can replicate this. When people talk about funding journalism through non-profit foundations, it should be along the lines of: make sure everybody in the Peace Corps knows how to do this, or give Amnesty International money to report on prisoner abuse, or give Greenpeace money to report on environmental issues. In fact, not much else is needed beyond what is already happening; the crashing prices of cell phones is making this available to billions of people.
* Middle: the spotters and amplifiers, people who see the potential importance of a story and do a bit more research online and use their network to push the story out. Many of these people have an axe to grind, which makes them motivated, but one has to take what they say with a grain of salt.
* Top: the final mile of media, the trusted brands. Each has to earn the public’s trust every day. When you see a news item coming from multiple sources, which do you click on? Different clicks for different folks; this is no winner-take-all market. Can be MSM, can be niche. But that trust is earned every day. Facts have to be checked, and that takes time, money, and training.
O jornal desportivo A Bola deverá apresentar amanhã um site renovado a nível de grafismo e conteúdos. Sob o lema Venha com a Bola dar a Volta ao Mundo, o jornal vai apresentar uma nova edição online com “muita interactividade com o leitor, muita imagem e uma área com informação generalista”,descreve Vítor Serpa, director do jornal, em declarações ao M&P.
Já hoje, como bem reparou o António Granado (num Twit das 14h54) o que todos nós podiamos ver no endereço era coisa bem distinta (imagem recolhida às 15h16)…
Alguém nos levou de volta a meados dos anos 1990 não foi?
É verdadeiramente indescritível.
É absolutamente inaceitável.
Até dói.
PS (16h33):
Voltamos a poder aceder ao site. Agora, ao novo site. Que é muito pouco novo (textos curtíssimos sem qualquer ligação externa, comentários só abertos a utilizadores registados, inexistência de possibilidade de referenciação para redes sociais, design…qual design? – 2 colunas que depois são 3 mas não são sempre iguais porque o quadradinho da publicidade é maior do que uma delas e depois voltam a ser duas mas com uma das colunas na horizontal…).
Continua a doer.
É pena.
Cerca de dois anos e meio depois de ter adoptado um novo site a Rádio Renascença renovou, no fim-de-semana passado, a sua presença na web.
Como se explica num video promocional (por sinal, muito bem feito) a empresa aposta não apenas numa ‘refrescadela’ mas antes num novo posicionamento no mercado, com o espaço online a adquirir (tanto para a programação como para a informação) um valor mais central na lógica operacional.
Visualmente o site parece-me muito melhor do que o anterior (se bem que o termo de comparação era já abaixo do sofrível) e há uma área que claramente ganha destaque – o video. Todos os sons e videos que abri funcionaram bem, à primeira e sem saltos, o que é bom sinal.
Pessoalmente, acho que a opção pela manutenção do fundo em tom azulado muito forte é pouco feliz (em tempos de clara tendência no sentido da sobriedade) e acho que a não existência da possibilidade de ligar, com um só toque, os textos e trabalhos a uma série de redes sociais é, certamente, uma coisa a corrigir dentro de muito pouco tempo.
Reparei ainda que a ligação para o ‘Página 1′ funciona na Home mas não funciona na página de entrada da Informação. Além disso – e, isso sim, parece-me grave – continua a não ser possível descarregar o PDF se estivermos a usar a versão mais recente do IE ou o Firefox.
Detalhes, naturalmente, mas importantes.
…quem entra numa passadeira rolante em andamento acelerado precisa de adaptar-se, rapidamente, a uma fasquia de ‘mínimo exigível’ que muda também ela a um ritmo acelerado.
Declaração de interesses: conheço bem algumas das pessoas responsáveis pelo online da RR e sou colunista quinzenal no Página 1.
O governo britânico acaba de tornar público o relatório ‘Digital Britain‘, um plano estratégico com o objectivo de garantir que o país consiga estar na “linha da frente da economia digital”.
O relatório apresenta acções e recomendações para proteger o talento e a inovação nas indústrias culturais, para modernizar as estruturas de rádio e TV e apresenta políticas para maximizar os benefícios sociais e económicos das tecnologias digitais.
Mais de 15 dias sem um post podem justificar-se assim:
1. tratamento em curso de duas tendinites (ombro e cotovelo) exige pouca permanência na posição que lhes terá dado origem;
2. …o pouco tempo que se dedica à vida social na web tende naturalmente a ser gasto no twitter…
3. se uns foram até à posta mirandesa (uma peregrinação altamente recomendável) outros tentaram matar saudades do que foi, em tempos, ‘casa’. Há imagens que já não visitavam estes olhos há alguns anos…
Blog pessoal de Luís António Santos, jornalista, docente de Jornalismo na Universidade do Minho, nascido em 1967. Actualizado de forma não regular desde 14 de Março de 2004.
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